O câmbio automatizado de dupla embreagem, conhecido como DCT, ganhou espaço no mercado por combinar trocas rápidas e maior durabilidade em comparação aos automatizados tradicionais de embreagem única. Diferentemente dos sistemas mais simples, que utilizam um conjunto semelhante ao manual com atuadores eletrônicos, o DCT trabalha com duas embreagens independentes, o que reduz trancos, melhora o desempenho e diminui o desgaste dos componentes.
O funcionamento é um pouco mais complicado que os mono embreagem, mas pode ser entendido de forma simples. Enquanto uma embreagem mantém a marcha atual engatada, a outra já deixa a próxima marcha pré-selecionada. Quando ocorre a troca, o sistema apenas alterna as embreagens, praticamente sem interrupção de torque, o que garante mudanças quase instantâneas.
Por outro lado, no caso dos automatizados tradicionais de embreagem única, o sistema precisa desacoplar a marcha, interromper momentaneamente a força do motor e então engatar a próxima relação. Esse procedimento gera trancos perceptíveis e maior desgaste da embreagem, especialmente em uso urbano intenso.
A maior confiabilidade dos câmbios de dupla embreagem está ligada justamente à forma como distribuem o trabalho entre duas embreagens e à rapidez das trocas. Em versões com embreagem banhada a óleo, o sistema ainda conta com melhor controle térmico, o que reduz superaquecimento e prolonga a vida útil.
Qual o problema do Powershift?
O caso do Powershift, utilizado pela Ford em modelos vendidos no Brasil, ilustra que nem todo câmbio de dupla embreagem apresenta o mesmo nível de confiabilidade. Embora tecnicamente seja um DCT, o sistema utilizava embreagens a seco, mais sensíveis ao calor e ao uso severo em trânsito pesado.
Problemas de superaquecimento, desgaste prematuro e falhas nos módulos eletrônicos comprometeram a reputação do conjunto, especialmente em condições urbanas como as encontradas nas grandes cidades brasileiras.
Já outros fabricantes que adotaram sistemas de dupla embreagem com conjuntos banhados a óleo, apresentam uma melhor refrigeração e calibração mais adequada ao uso local, e conseguiram índices superiores de durabilidade e menor incidência de falhas. A diferença não está apenas no conceito do sistema, mas na engenharia aplicada, na qualidade dos componentes e na adaptação do projeto às condições reais de rodagem.
Ao analisar o conjunto como um todo, fica claro que o câmbio automatizado de dupla embreagem representa uma evolução técnica em relação aos automatizados tradicionais. Quando bem projetado e corretamente dimensionado para o tipo de uso, o sistema entrega desempenho superior, conforto nas trocas e maior confiabilidade.
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