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Seu carro te espiona? Entenda os dados que a IA coleta sobre você

Saiba quais informações de rota, velocidade e voz são armazenadas pelo seu veículo e quem acessa esses dados

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A interação com assistentes de voz no carro ilustra a coleta de comandos e dados pessoais pelos sistemas inteligentes
A interação com assistentes de voz no carro ilustra a coleta de comandos e dados pessoais pelos sistemas inteligentes Foto: Google/Divulgação

A inteligência artificial transformou seu carro em um computador sobre rodas, mas essa evolução tem um preço: a sua privacidade. Veículos modernos coletam um volume de dados sobre motoristas e passageiros que vai muito além do simples trajeto no GPS. Informações sobre seu estilo de condução, comandos de voz e até o peso dos ocupantes são registradas, gerando um debate sobre quem controla e utiliza essas informações.

Essa coleta acontece por meio de dezenas de sensores, câmeras e microfones espalhados pelo carro. Eles alimentam sistemas que vão desde o assistente de estacionamento até a central multimídia. Embora muitas dessas funções ofereçam conveniência e segurança, os dados gerados são um ativo valioso para as montadoras e empresas de tecnologia.

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Quais dados seu carro coleta?

A lista de informações que um carro conectado pode armazenar é extensa e surpreendente. Entender o que é monitorado é o primeiro passo para proteger sua privacidade.

Localização e rotas: O sistema de navegação não apenas guia seu caminho, mas também grava históricos de destinos, locais frequentes e a duração de cada parada. Esses dados podem revelar sua rotina diária, local de trabalho e residência.

Estilo de condução: A velocidade média, a frequência de acelerações bruscas e a intensidade das frenagens são monitoradas. Como no caso da General Motors, que em 2024 compartilhou dados do sistema OnStar com seguradoras, essas informações podem ser usadas para calcular o valor do seguro, muitas vezes sem um consentimento claro do motorista.

Comandos de voz: As conversas com a assistente virtual do veículo, como pedidos de música ou de uma rota, são frequentemente gravadas e enviadas para servidores na nuvem. A justificativa é aprimorar a tecnologia de reconhecimento de voz.

Informações da cabine: Câmeras internas, usadas em sistemas de monitoramento de fadiga, podem registrar imagens do motorista. Sensores nos assentos podem detectar o número de ocupantes e até mesmo o peso de cada um, dados usados para otimizar a ativação dos airbags.

Quem tem acesso a essas informações?

Os dados coletados não ficam restritos ao carro. Eles são compartilhados com uma rede de empresas. As montadoras são as principais detentoras, utilizando as informações para pesquisa, desenvolvimento de novos produtos e serviços conectados.

Empresas de tecnologia que fornecem os sistemas operacionais das centrais multimídia, como Google e Apple, também têm acesso a uma parte desses dados. Além disso, informações anonimizadas podem ser vendidas a terceiros para fins de planejamento urbano ou análise de mercado.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) garante direitos aos titulares. Por isso, a recomendação é explorar as configurações de privacidade na central multimídia do seu veículo. Muitos sistemas permitem limitar ou desativar parte da coleta de dados, oferecendo um controle maior sobre as informações que você compartilha.