Embora tenha sido apresentado como o retorno do câmbio manual à Ferrari, o sistema desenvolvido para o 12Cilindri Manuale funciona de forma diferente da tradicional. Batizada de Manuale By-Wire, a tecnologia mantém alavanca e pedal de embreagem sem ligação mecânica com a transmissão. Todos os comandos são enviados eletronicamente para a caixa automatizada de dupla embreagem de 8 marchas.
Na prática, o conjunto mecânico permanece o mesmo do 12Cilindri convencional, com um motor 6.5 V12 aspirado que continua entregando 819 cv e girando até 9.500 rpm. A novidade está na forma como o motorista interage com o carro, com um sistema que simula a condução de um esportivo manual.
Para criar essa sensação, a alavanca foi projetada para funcionar de maneira semelhante à de um câmbio convencional. Sensores identificam os movimentos do motorista, enquanto mecanismos internos simulam a resistência e o "clique" das trocas. Segundo a Ferrari, o objetivo é reproduzir a resposta tátil sem abrir mão da rapidez da dupla embreagem.
O pedal de embreagem também recebe mudanças, assim como acontece com a alavanca, ele não atua diretamente sobre a transmissão, mas envia comandos eletrônicos para controlar o engate das marchas. Para tornar a experiência mais realista, a Ferrari utilizou molas e mecanismos mecânicos capazes de reproduzir o peso e o ponto de acoplamento de uma embreagem convencional.
Ao volante, o comportamento também procura imitar um carro equipado com câmbio manual tradicional. Caso o motorista erre o tempo da troca ou utilize incorretamente a embreagem durante uma arrancada, será possível sentir trancos e até provocar o desligamento do motor. Dessa forma, a condução exige a mesma atenção encontrada nos esportivos manuais do passado.
O modo manual controla as 6 primeiras marchas e a marcha à ré, enquanto o funcionamento automático continua disponível para quem preferir deixar as trocas por conta da transmissão. Nesse modo, a caixa DCT opera normalmente, mas a alavanca continua permitindo pré-selecionar as marchas. Além disso, o painel digital irá informar como cada marcha afetará a rotação do motor.
Outro detalhe que chama atenção é a ausência das tradicionais borboletas atrás do volante. Pela primeira vez em muitos anos, a Ferrari optou por eliminá-las completamente em um de seus modelos. A decisão reforça a proposta de aproximar ao máximo a experiência de condução de um esportivo manual clássico.
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