A Ferrari começa a revelar, aos poucos, os detalhes do seu primeiro carro elétrico de produção. Batizado de Luce, o modelo teve novas imagens do interior divulgadas e deixa claro que a marca italiana pretende seguir um caminho próprio, distante da tendência dominante entre os elétricos atuais.
Em vez de apostar em grandes telas sensíveis ao toque, o Luce adota uma abordagem centrada na interação física. Botões, seletores e comandos táteis assumem protagonismo na cabine, reforçando uma experiência mais direta ao volante. A proposta tem participação de Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, em parceria com o coletivo LoveFrom.
A central multimídia existe, mas não domina o ambiente. Com formato compacto e visual que remete a dispositivos antigos da Apple, a tela não apresenta funções por toque no material divulgado. Os principais comandos estão concentrados em controles físicos, incluindo climatização, volume e atalhos. Outro detalhe é a possibilidade de inclinar o display em direção ao motorista ou ao passageiro.
O painel de instrumentos segue uma lógica semelhante. Apesar de digital, ele reproduz a leitura clássica com três mostradores circulares configuráveis. Informações como velocidade, nível de carga, autonomia e fluxo de energia aparecem de forma segmentada. O conjunto se move junto com o volante, garantindo visibilidade constante independentemente do ajuste de posição.
O volante, por sua vez, combina estética tradicional com tecnologia atual. Há comandos físicos distribuídos pelos raios e a presença do Manettino, agora adaptado para gerenciar o funcionamento do sistema elétrico. Entre os modos de condução disponíveis estão configurações voltadas para eficiência, uso cotidiano e desempenho.
Outro elemento que chama atenção é o processo de partida. Em vez de sistemas totalmente digitais, o Luce utiliza uma chave física com acabamento em vidro e couro, equipada com uma pequena tela e-ink. Ao ser inserida no console, ela ativa a sequência de inicialização do veículo.
Se por dentro o modelo aposta na experiência sensorial, por baixo da carroceria a proposta segue fiel à tradição da marca. O conjunto elétrico é formado por quatro motores e entrega mais de 1.100 cavalos de potência. A aceleração de zero a 100 km por hora acontece em cerca de 2,5 segundos, enquanto a velocidade máxima chega a 310 km por hora.
A bateria de 122 kWh opera em arquitetura de 880 volts e garante autonomia próxima de 530 quilômetros no ciclo europeu. O sistema também permite variar o tipo de tração, com possibilidade de desacoplar o eixo dianteiro para priorizar eficiência ou favorecer uma condução mais esportiva.
O peso elevado, próximo de 2.300 quilos, coloca o Luce como o modelo de produção mais pesado da história da Ferrari. Ainda assim, a expectativa da marca é de que o desempenho não seja comprometido, graças à distribuição de força e ao gerenciamento eletrônico avançado.
O design externo segue mantido em sigilo. Sabe-se apenas que o modelo terá quatro portas e quatro lugares, com proposta voltada ao uso em longas distâncias sem abrir mão da esportividade.
A apresentação oficial está marcada para o dia 25 de maio, em Maranello. A produção deve começar no fim de 2026, com as primeiras unidades chegando aos clientes no início de 2027.