A comodidade de um carro com câmbio automático é inegável, especialmente no trânsito das grandes cidades. Não é à toa que essa tecnologia se popularizou no Brasil. No entanto, ao comprar um modelo usado, a transmissão que elimina o pedal da embreagem pode se transformar em uma grande e cara dor de cabeça, com reparos que podem custar até R$ 10.000 em oficinas especializadas.
O primeiro passo para uma compra segura é entender que nem todo câmbio automático é igual. Conhecer os diferentes tipos ajuda a identificar qual se adapta melhor ao seu uso e quais exigem mais atenção na hora da vistoria. Cada sistema tem suas próprias características, custos de manutenção e problemas crônicos.
Principais tipos de câmbio
O mercado de usados oferece principalmente três tecnologias. O câmbio automático convencional, com conversor de torque, é conhecido pela robustez e trocas suaves, mas pode aumentar o consumo de combustível. Já o CVT, de transmissão continuamente variável, não tem marchas definidas, o que garante acelerações lineares e economia, como visto em modelos da Honda que se destacam pela suavidade. Sua manutenção, porém, costuma ser mais cara.
Por fim, existem os automatizados, mais comuns em carros usados antigos. Os de embreagem simples, como o I-Motion da Volkswagen e o Dualogic da Fiat, foram descontinuados, mas ficaram famosos pelos trancos e hesitações. Já os de dupla embreagem tiveram um histórico controverso. O Powershift da Ford, usado em modelos como Fiesta e Focus até 2019, foi descontinuado globalmente por problemas crônicos. Apesar disso, em março de 2026, o mercado já conta com sistemas de dupla embreagem confiáveis, como o do Renault Kardian e o DSG da Volkswagen com embreagens imersas em óleo.
Sinais de alerta durante o teste
Na hora de testar o carro, a atenção aos detalhes é fundamental. Fique atento a trancos ou solavancos excessivos nas trocas de marcha, tanto em acelerações leves quanto nas mais fortes. Demora para engatar as marchas, principalmente ao mover a alavanca de "P" (Parking) para "D" (Drive) ou "R" (Ré), é um péssimo sinal.
Ruídos estranhos, como zumbidos ou estalos vindos da transmissão, também indicam problemas. Outro sintoma clássico de desgaste é a "patinação", quando o motor acelera e o giro sobe, mas o carro não ganha velocidade na mesma proporção. Verifique também se há vazamentos de fluido, que geralmente tem uma coloração avermelhada, sob o veículo. Para modelos equipados com o câmbio Powershift, é crucial verificar o histórico de recalls e reparos realizados na concessionária.
Durante o test-drive, dirija o carro em diferentes situações. Use todas as posições da alavanca e, se houver modo manual, teste as trocas. Observe se o comportamento do câmbio se altera após o veículo aquecer. Por fim, sempre verifique o histórico de manutenção e, se possível, leve o carro a um mecânico especializado em transmissões automáticas antes de fechar negócio.
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