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Entenda

Estudo associa carros maiores a aumento de 75% nas mortes de pedestres

Estudo revela a perigosa relação entre o tamanho dos carros atuais e a segurança nas ruas; altura do veículo é fator decisivo em acidentes

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Ford F150 limited 2020 frente movimento
Ford F150 limited 2020 frente movimento Foto:

As ruas se tornaram mais perigosas para os pedestres, e o tamanho dos carros modernos é o principal culpado. Desde 2009, as mortes de pedestres cresceram drasticamente — uma alta de pelo menos 75%, com outras fontes apontando para até 83%. Um estudo aprofundado publicado pelo jornal 'The New York Times' em junho de 2026, com base em análise de dados federais e do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), aponta uma correlação direta entre essa estatística alarmante e a popularidade de SUVs, picapes e vans com a parte frontal cada vez mais alta e vertical.

A física por trás da tragédia

A diferença de poucos centímetros na altura do capô de um veículo pode significar a diferença entre a vida e a morte em um atropelamento. A forma como um pedestre é atingido por um carro baixo é fundamentalmente diferente do impacto de um SUV grande.

Impacto de um carro baixo

Quando um sedan atinge um pedestre, o impacto inicial geralmente ocorre nas pernas. Isso faz com que o corpo da vítima gire e seja lançado sobre o capô, uma superfície projetada para absorver parte da energia do choque. Embora grave, esse cenário oferece uma chance maior de sobrevivência.

Impacto de um SUV ou picape

Ford F-250
F-250 é uma das maiores picapes da Ford nos EUA Foto: Divulgação

Veículos com a frente alta e reta, por outro lado, atingem o pedestre no centro de massa — na pélvis ou no tórax. Essa colisão transfere uma força muito maior para órgãos vitais. Em vez de rolar sobre o carro, a vítima é frequentemente arremessada para a frente, sofrendo um segundo impacto, muitas vezes fatal, contra o asfalto. Um estudo do IIHS de 2023 já havia comprovado que veículos com capôs acima de 1 metro de altura (40 polegadas) são 45% mais letais para pedestres.

A regra que incentivou carros maiores

Paradoxalmente, uma regulamentação ambiental criada para reduzir o consumo de combustível nos Estados Unidos acabou incentivando a produção de veículos maiores. O chamado "modelo da pegada" (footprint model) estabeleceu metas de eficiência menos rigorosas para carros com maior área entre os eixos. Para cumprir as regras mais facilmente, as montadoras passaram a projetar SUVs e picapes cada vez maiores, levando ao design de frentes mais altas e agressivas que vemos hoje.

Um problema de proporções enormes

A preferência do consumidor acompanhou a oferta da indústria. Atualmente, SUVs, crossovers e picapes representam cerca de 80% das vendas de veículos novos. O estudo do New York Times estima que a tendência de capôs mais altos foi responsável por aproximadamente 3.000 mortes de pedestres entre 2016 e 2024. A análise conclui que, se a altura média dos veículos tivesse permanecido nos níveis de 1989, entre 200 e 400 vidas poderiam ter sido salvas anualmente.