A Mercedes-Benz, conhecida por painéis repletos de telas, admitiu que a indústria automotiva pode ter ido longe demais na eliminação de controles físicos. A marca já iniciou o retorno de botões táteis, embora os grandes painéis digitais não devam desaparecer.
Ola Källenius, CEO da empresa, reconheceu que os fabricantes podem ter impulsionado a digitalização de forma muito agressiva. Ele afirmou que, às vezes, a tecnologia é desenvolvida pela própria tecnologia, esquecendo um pouco do cliente.
A montadora alemã foi uma das que mais adotou cabines com telas, como nos sistemas MBUX Hyperscreen e Superscreen, que se estendem por todo o painel. Essa abordagem digital, no entanto, veio à custa de interruptores convencionais, o que não agradou a todos os clientes.
Källenius disse à revista "Autocar" que a empresa passa muito tempo desenvolvendo suas interfaces para que sejam simples de operar. A Mercedes já restaurou os controles físicos no volante e prometeu continuar trazendo de volta os botões onde eles fizerem sentido.
Mais botões, não menos telas
A decisão não significa o fim das telas. Questionado se a indústria atingiu o limite de displays, Källenius respondeu: "Não sei se estamos no pico das telas, mas estamos com poucos botões". A tendência aponta para uma coexistência entre telas e interruptores.
Outras marcas seguem na mesma direção. O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, admitiu que os botões sensíveis ao toque se popularizaram por custarem cerca de 50% menos para produzir, mas confirmou que a empresa reintroduzirá mais controles físicos. Volkswagen e Hyundai também estão resgatando os botões.
Ainda assim, apenas os botões não são uma solução definitiva. Um teste de distração sueco revelou que um Mazda CX-60, com muitos botões, exigiu mais tempo para completar tarefas do que um Tesla Model Y, focado em telas. O Mercedes CLA também teve um desempenho ruim, enquanto o Volvo XC60, centrado na tela, liderou o teste.
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