A compra de um carro usado exige atenção a muitos detalhes, mas poucos são tão críticos quanto o câmbio automático. Uma transmissão com problemas pode transformar o sonho do carro novo em um pesadelo financeiro, com reparos que facilmente ultrapassam os cinco dígitos. A boa notícia é que um test drive atento, mesmo para quem não entende de mecânica, pode revelar os principais sinais de alerta antes de fechar negócio.
O primeiro passo do teste deve ser feito logo após ligar o motor. Peça para ligar o carro na sua presença e, com o pé no freio, passe a alavanca por todas as posições: P (Park), R (Ré), N (Neutro) e D (Drive). Fique atento a trancos fortes ou a uma demora excessiva para que a marcha engate. Um pequeno solavanco é normal, mas batidas secas já indicam desgaste interno.
Com o veículo em movimento, a avaliação continua. As trocas de marcha em uma transmissão saudável devem ser suaves, quase imperceptíveis em rotações baixas e médias. Se o carro dá trancos, estica demais as marchas sem motivo ou parece hesitar na hora da troca, desconfie. Outro sintoma clássico de problema é a "patinação", quando o motor acelera, o conta-giros sobe, mas o carro não ganha velocidade na mesma proporção.
Sinais para ficar atento durante o teste
Além da sensação ao dirigir, use seus outros sentidos. Fique de olho no painel para verificar se alguma luz de advertência da transmissão está acesa. Desligue o rádio e preste atenção a ruídos estranhos vindos do câmbio. Zunidos, chiados ou estalos que mudam de intensidade conforme a velocidade ou a marcha são péssimos sinais e podem indicar desde problemas em rolamentos até um desgaste severo das engrenagens.
Exija um pouco mais do carro. Em uma via segura, pise fundo no acelerador para forçar a redução de marcha (o chamado kickdown). A resposta deve ser rápida e a redução, precisa. Se o câmbio demorar a reagir ou der um tranco violento, é mais um ponto de atenção. Aproveite para testar também o modo manual ou esportivo, se houver, passando por todas as marchas. Além disso, verifique se há um histórico de manutenção documentado da transmissão, o que reforça a boa procedência do veículo.
Por fim, com o motor aquecido e em funcionamento (consulte o manual do proprietário para o procedimento correto), verifique o fluido da transmissão, se o modelo tiver a vareta de medição. O óleo deve ter uma coloração vermelho-claro ou avermelhada e estar sem cheiro de queimado. Um fluido escuro, marrom ou com odor forte indica superaquecimento e falta de manutenção, o que pode ter causado danos irreversíveis. Em veículos mais novos sem vareta acessível, a verificação do fluido deve ser realizada por um mecânico especializado. Ao final do teste, estacione o carro em um local limpo e verifique se há vazamentos sob o veículo.
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