Olhe ao redor nas ruas brasileiras e a conclusão é inevitável: os SUVs dominaram o mercado. Respondendo por quase metade dos carros novos vendidos no país, eles se tornaram a escolha padrão para muitas famílias. Essa preferência, no entanto, redesenhou o cenário automotivo e empurrou para a história categorias inteiras que já foram o sonho de consumo de muitos motoristas.
Modelos que antes lotavam as garagens hoje são encontrados apenas no mercado de usados, deixando um rastro de saudade e boas lembranças. Essa mudança não aconteceu da noite para o dia, mas foi um processo gradual de substituição ditado pelo desejo do consumidor por carros mais altos, com design robusto e maior sensação de segurança.
As peruas e o espaço para a família
As peruas, ou station wagons, eram sinônimo de carro familiar. Elas combinavam o conforto e a dirigibilidade de um sedã com um porta-malas generoso, ideal para viagens longas. Modelos como a Fiat Palio Weekend, Volkswagen Parati e Chevrolet Ipanema marcaram época, oferecendo uma solução prática e acessível para quem precisava de espaço.
Com a chegada e popularização dos SUVs, o apelo das peruas diminuiu. Os utilitários esportivos pecam no espaço interno e tamanho de porta-malas, mas a posição de dirigir mais elevada e um visual aventureiro parece ser o suficiente para o público. A Fiat Palio Weekend, última representante popular do segmento, saiu de linha em 2020, selando o fim de uma era.
Minivans: a solução versátil
Nos anos 2000, as minivans eram a escolha inteligente para famílias grandes. Com interiores modulares, capacidade para até sete passageiros e soluções criativas de armazenamento, carros como a Chevrolet Zafira, a Renault Scénic e a Citroën Xsara Picasso se destacaram pela versatilidade.
Elas foram as vítimas diretas da ascensão dos SUVs de sete lugares. Os novos modelos ofereciam a mesma funcionalidade em uma carroceria mais moderna e imponente. A Chevrolet Spin ainda resiste, mas ao longo dos anos incorporou elementos de design dos SUVs para se manter relevante no mercado atual.
Hatches médios: o desejo de esportividade
Houve um tempo em que ter um hatch médio era um sinal de status e apreço por uma condução mais dinâmica. Volkswagen Golf, Ford Focus e Chevrolet Astra eram objetos de desejo, conhecidos pelo bom desempenho, acabamento superior e design arrojado. Eram um passo natural para quem saía dos hatches compactos.
Essa categoria foi espremida por dois movimentos do mercado. Por baixo, os hatches compactos evoluíram muito em tecnologia e segurança. Por cima, os SUVs compactos surgiram com preços competitivos e um apelo de novidade irresistível. O Chevrolet Cruze Hatch foi o último a deixar o cenário, encerrando um capítulo importante da indústria nacional.
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