O Jeep Renegade é uma figura carimbada no mercado de usados brasileiro. Seu design robusto e a força da marca atraem muitos compradores, mas a fama de problemático, especialmente nas unidades mais antigas, gera uma dúvida comum: vale a pena o risco? A resposta curta é: depende do motor e do ano de fabricação.
O principal fantasma que assombra os modelos equipados com o motor 1.8 E.torQ e câmbio automático de seis marchas (Aisin), fabricados entre 2015 e 2019, é a falha no trocador de calor. Essa peça, que resfria o óleo da transmissão usando o líquido de arrefecimento do motor, pode apresentar vazamentos internos.
Quando isso ocorre, os dois fluidos se misturam. O resultado é uma contaminação que pode levar à perda total do câmbio, com reparos que podem variar entre R$ 15 mil e R$ 22 mil, podendo chegar a valores ainda mais altos em casos extremos. O problema é crônico e afeta um grande número de unidades, sendo o maior ponto de atenção na hora da compra.
Consumo e acabamento também são alvo de críticas
Outra reclamação histórica é o consumo de combustível. O motor 1.8 aspirado sofre para empurrar os mais de 1.400 kg do SUV, resultando em médias baixas, especialmente na cidade. Não é raro encontrar proprietários relatando marcas inferiores a 6 km/l com etanol em trânsito urbano.
Além disso, ruídos internos são queixas frequentes. Donos de modelos dos primeiros anos (2015 a 2018) costumam apontar barulhos no painel e nos acabamentos das portas, algo que pode incomodar no uso diário e desvalorizar o veículo na hora da revenda.
Quais são os pontos positivos do SUV?
Apesar dos pontos negativos, o Renegade tem qualidades que justificam sua popularidade. A construção é sólida, a suspensão independente nas quatro rodas garante uma ótima dirigibilidade e conforto, e o design continua atual e desejado. O SUV também costuma ser bem equipado desde as versões de entrada.
Outro fator positivo é a liquidez. Por ser um modelo muito vendido, encontrar peças e mão de obra não é difícil, e ele mantém um bom valor de mercado, sendo relativamente fácil de vender posteriormente.
A compra de um Renegade usado, portanto, exige cautela redobrada. Modelos mais recentes com o motor 1.3 turbo (T270) eliminaram os principais problemas de desempenho e consumo. Para quem busca um modelo mais antigo, é fundamental uma inspeção mecânica criteriosa, com foco total no sistema de arrefecimento e no histórico de manutenção do câmbio.
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