A proposta de aumentar a mistura de etanol na gasolina, dos atuais 27,5% para 32%, anunciada pelo governo federal para implementação ainda em 2026, no primeiro semestre, acendeu um alerta para donos de veículos mais antigos. A grande questão é se esses carros, especialmente os que não são flex, estão preparados para rodar com um combustível tão diferente daquele para o qual foram projetados.
O principal ponto de atenção é a natureza do etanol. Ele é mais corrosivo que a gasolina e possui um poder de solvência maior. Isso significa que pode atacar componentes de borracha e metal do sistema de alimentação do veículo, como mangueiras, anéis de vedação, diafragmas de carburadores e até mesmo tanques de combustível que não possuem tratamento adequado. Para validar a segurança da nova mistura, o Instituto Mauá de Tecnologia está conduzindo testes técnicos antes da implementação.
Outro efeito prático é o impacto na mistura ar-combustível. Carros antigos, com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, são calibrados para uma porcentagem menor de etanol. Com 32%, a mistura pode ficar mais pobre, ou seja, com excesso de ar, causando falhas, perda de potência e superaquecimento de componentes internos do motor.
Quais veículos são mais vulneráveis?
Os modelos que correm maior risco são aqueles fabricados até meados da década de 1990. Esses carros foram projetados em uma época em que a mistura de etanol na gasolina era significativamente menor. Seus componentes do sistema de combustível não foram desenvolvidos para resistir a uma concentração tão elevada do biocombustível.
Veículos produzidos entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2000, já com injeção eletrônica mas ainda não flex, também merecem cuidado. Embora mais modernos, muitos de seus componentes ainda podem sofrer desgaste acelerado. Já os carros flex, por sua vez, estão totalmente preparados para essa nova realidade, pois foram projetados para rodar com qualquer proporção de etanol e gasolina.
Sinais de alerta para ficar de olho
Se a mudança for aprovada, os proprietários de carros mais antigos precisam ficar atentos a alguns sintomas que podem indicar problemas relacionados ao combustível. É importante monitorar o veículo para identificar qualquer anormalidade logo no início.
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Dificuldade para dar a partida, principalmente com o motor frio
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Falhas ou "engasgos" do motor em acelerações
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Aumento perceptível no consumo de combustível
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Cheiro forte de gasolina perto do veículo, o que pode indicar vazamentos
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Luz da injeção eletrônica acesa no painel
- Nos carros carburados, o carburador pode apresentar corrosão e mau funcionamento
A melhor forma de mitigar os riscos é a manutenção preventiva. Conversar com um mecânico de confiança sobre a possibilidade de substituir peças como mangueiras e filtros por componentes mais modernos e resistentes ao etanol pode ser uma solução eficaz para garantir a durabilidade do veículo.
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