A Ford anunciou uma nova estratégia para desenvolver uma geração de veículos elétricos mais acessíveis e eficientes. O objetivo da montadora é competir diretamente com os modelos a gasolina, tornando a tecnologia elétrica uma opção viável para um público mais amplo.
Para alcançar essa meta, a empresa reestruturou completamente seu processo de engenharia. A mudança central foi a criação de uma equipe focada em métricas de autonomia e desempenho, estabelecendo uma nova forma de avaliar cada componente do veículo.
Uma nova forma de projetar
Tradicionalmente, os engenheiros trabalham em departamentos isolados, focados em aprimorar uma peça específica sem, muitas vezes, entender seu impacto no conjunto. Agora, todas as equipes da Ford compartilham o mesmo objetivo: otimizar o peso, a aerodinâmica e o tamanho da bateria para reduzir o custo final.
A montadora exemplifica que a equipe de aerodinâmica busca um teto mais baixo, enquanto a de design de interiores prefere um teto mais alto. Agora, ambas passam a entender o custo real de suas decisões. Um acréscimo de apenas 1 milímetro na altura do teto representa um custo adicional na bateria ou uma pequena perda de autonomia.
Com essa clareza, as decisões são tomadas com base em dados concretos. Um exemplo prático é o novo design do espelho retrovisor, que ficou 20% menor. A alteração reduziu massa, custo e melhorou a aerodinâmica, resultando em um ganho de quase 2,5 quilômetros de autonomia.
Gerenciamento de energia inteligente
O pilar da nova plataforma é o desenvolvimento interno da arquitetura elétrica. A Ford passou a projetar seus próprios sistemas de eletrônica de potência, o que antes era feito por fornecedores externos. Isso permite criar um ecossistema de carregamento totalmente integrado, incluindo o software.
A integração resulta em menor tempo de recarga, maior vida útil da bateria e um custo de propriedade mais baixo para o consumidor. Além disso, a otimização permitiu que o chicote elétrico da nova picape elétrica de médio porte seja 1,2 km mais curto e 10 kg mais leve que os modelos de primeira geração.
A quantidade de unidades de controle eletrônico, os "cérebros" do veículo, também foi drasticamente reduzida. Enquanto carros convencionais podem ter mais de 30 módulos, os novos elétricos da Ford terão apenas cinco, simplificando a fiação e a arquitetura geral.
A montadora reconhece que haverá ceticismo, mas afirma que está criando uma plataforma de veículo elétrico verdadeiramente integrada. Se a estratégia funcionar, a Ford terá uma família de veículos capaz de competir em preço com os modelos a combustão mais vendidos no mundo.
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