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Fiat Palio: 10 dicas pra observar na hora de comprar um usado

A primeira geração do maior rival do Gol fez história no mercado brasileiro, mas nossos levantamentos constatam que o modelo tem os pros e contras

Fiat Palio EDX modelo 1996 vermelho quatro portas
A primeira geração do Fiat Palio foi lançada em 1996 e logo ganhou diferentes opções de motorização Fiat/Divulgação

O Fiat Palio representou a terceira investida compacta da marca italiana no Brasil, depois do precursor 147 e mais de 10 anos após a estreia do Uno. Lançado em 1996, o hatch foi desenvolvido para mercados da América Latina, Leste Europeu e África e sua primeira geração, como de costume no mercado brasileiro, estourou seu banco de horas – durou até 2018.

Relembre o vídeo da campanha de lançamento do Fiat Palio em 1996

Feito sobre a plataforma do Uno europeu, o Fiat Palio foi o grande rival do Volkswagen Gol e tentou seguir a estratégia do concorrente. Trazia as linhas arredondadas, que eram tendência nos anos 1990 (vide Chevrolet Corsa, VW Gol bolinha…), passou por três remodelações e ganhou muitas versões e séries limitadas. Porém, só no fim de vida que conseguiu desbancar o Gol. E, assim mesmo, com a ajuda das vendas da segunda geração.

Mas o Fiat Palio fez história. Deu cria a três configurações de carroceria (picape Strada, station wagon Weekend e sedã Siena) e sua arquitetura serviu ainda à minivan Idea e à multivan Doblò. Foram quase 3 milhões de unidades só desta primeira fase e muitas opções entre os carros usados. Portanto, confira agora 10 fatos importantes sobre o Fiat Palio que você deve considerar antes de comprar.

1 – Fiat Palio e seus motores dos mais variados

O que não falta aos mais de 20 anos de vida do primeiro Palio é motor. O modelo começou com o 1.5 (este logo substituído por um 1.6 8V) e 1.6 16V, Depois, propulsores Fire 1.0, 1.0 16V, 1.3 16V, 1.5 Fiasa a álcool e o 1.8 fornecido pela General Motors. A maioria se rendeu à era flex, que ainda ganhou a companhia do 1.4.

A fase E.torQ começou em 2010, depois que a Fiat comprou a Tritec, fábrica paranaense fruto da joint-venture entre BMW e Chrysler. O Fiar Palio, então, passou a ter em seu portfólio os motores 1.6 16V e 1.8 16V – este entrando gradativamente no lugar do 1.8 Família I da GM. Junto com os motores Fire 1.0 e 1.4, que acompanharam o hatch até sua morte, em 2018.

Fiat Palio 2008 prata quatro portas
O Fiat Palio modelo 2008 tinha faróis com a base reta e a grade com o logo da marca redondo

2 – Suspensão mais macia no Fiat Palio

O Palio sempre foi o contraponto do Gol no acerto. Se o rival é “durinho”, o compacto da Fiat optou por uma suspensão com calibragem bem mais macia – para não dizer molenga nos primeiros anos do projeto. Por esta razão, devido a esta característica, o Fiat Palio sempre teve um pouco de fama de “João Bobo”. Mas também atraiu aquele público que queria um comportamento mais confortável no rodar.

3 – Ergonomia é destaque no Palio

Um dos pontos fortes do Fiat Palio era a ergonomia. Não chegava a ser tão exemplar como a do Uno, mas garantia boa posição de dirigir, principais comandos colocados de forma intuitiva e visibilidade eficiente na maior parte do tempo.

4 – Facilidade de encontrar peças para o Fiat Palio

O Fiat Palio teve cerca de 3 milhões de unidades vendidas em mais de 20 anos de mercado. A abundância de peças é mais que natural, e mesmo a variedade motores e câmbios não atrapalha o acesso aos componentes no mercado de reposição. Veja alguns exemplos:

  • Jogo de pastilhas de freio do Palio 1.3 16V 2005: entre R$ 80 e R$ 120
  • Kit de velas do Fiat Palio 1.0 8V 1999: entre R$ 50 e R$ 95
  • Kit correia dentada do Palio 2008: entre R$ 120 e R$ 180
  • Bomba de combustível do Fiat Palio 2013: entre R$ 190 e R$ 320
Fiat Palio modelo 2010 preto quatro portas
Na linha 2010, o Fiat Palio ganhou faróis discretamente diferentes, com um ressalto na base

5 – As diferentes fases do Fiat Palio

Sobre a mesma arquitetura, o Fiat Palio teve diferentes fases de design. A primeira reestilização veio em 2000, já como linha 2001, assinada por Giorgetto Giugiaro. A dianteira ganhou traços mais definidos e retilíneos, enquanto o conjunto mecânico estreava o motor 1.0 Fire, de 55cv.

A partir de então, o Fiat Palio manteve sempre uma variante com desenho antigo e depauperada em equipamentos para ser a porta de entrada da gama. Essa opção inicial do hatch começou com o nome Young, mas depois passou a ser batizada de Fire.

Não se passaram nem quatro anos e o Fiat Palio mudou de novo, em 2003 – linha 2004 – para enfrentar a concorrência no segmento de compactos, que já reunia pesos-pesados recentes (Chevrolet Celta, Peugeot 208, Citroën C3 e Ford Fiesta).

Mais uma vez, Giugiaro assinou a reestilização, com faróis maiores, de dupla parábola e molduras arredondadas, e grade redesenhada. A traseira, por sua vez, adotou linhas mais retas. Por dentro, mudanças nos revestimentos e no padrão de acabamento.

A última mudança no Fiat Palio foi em 2007 e deixou claro que mexer em um projeto antigo vai ficando difícil com o passar do tempo. O hatch adotou o desenho mais controverso de sua história no Brasil, com jeitão dos modelos chineses da época, evidenciado pelos faróis mais arredondados e a nova grade retangular.

6 – As versões mais legais do Fiat Palio

A versão ELX, topo de linha do fim dos anos 1990, com motor 1.6 de 82cv, é uma boa pedida. A ELX com motor 1.3 16V após a primeira remodelação também era bem equipada e com bom acabamento para a época.

Uma das derivações mais legais foi a 1.8R, lançada em 2005, que tentava surfar na onda dos emblemáticos Uno 1.5R e 1.6R. Entretanto, o Fiat Palio 1.8R era equipado com o motor de 115cv flex fornecido pela GM. A proposta esportiva era evidenciada pela suspensão mais firme e baixa e pelos pneus mais largos, mas a aceleração até 100km/h não baixava dos 11 segundos.

Fiat Palio 2016 de frente e traseira vermelho e azul quatro portas
O novo Palio ganhou visual bem diferente da geração anterior, com estilo que dividiu opiniões

7 – As séries mais legais do Fiat Palio

Com quase duas décadas de vida, é claro que o primeiro Fiat Palio teve muitas edições limitadas. Uma das primeiras foi a 500 Anos, em referência ao aniversário da chegada dos portugueses ao Brasil, e depois a 25 Anos, para comemorar o tempo de atividades da Fiat no mercado brasileiro.

Em 2006 também teve a edição 30 anos, mais uma vez para marcar o aniversário da marca italiana no país. Na mesma época, surgiu uma das mais famosas séries limitadas do Palio, a Celebration.

8 – Fuja do câmbio Dualogic

A primeira dica se você estiver de olho em um Fiat Palio de primeira geração é evitar as versões com câmbio Dualogic. A famigerada transmissão automatizada prejudica o desempenho dos motores 1.6 e 1.8.

São muitos trancos e demora nas respostas da caixa robotizada. A marca italiana até fez uma “segunda geração ” do Dualogic, com mais grip, mas o câmbio continuou deixando a desejar e atualmente é item que desvaloriza os usados.

9 – Outra caixa para ser desconsiderada como opção

Antes do Dualogic, a Fiat quis dar um descanso para o motorista do Palio. Chamada de Citymatic, esta versão trazia um sistema igualmente robotizado, sem pedal da embreagem, só que com câmbio com engates como nos modelos manuais.

Funcionava assim: ao encostar a mão no câmbio, um sensor ativava automaticamente a embreagem, e o condutor fazia as mudanças normalmente na alavanca. Acontece que o sistema não tinha sensibilidade necessária no pedal do acelerador e até subir meio fio era difícil. Durou só dois anos.

A transmissão manual do Palio também não é nenhuma maravilha, principalmente no que diz respeito aos engates. É aquele habitual câmbio esponjoso, com engates pouco precisos e curso longo da alavanca.

10 – Principais defeitos do Fiat Palio

Em 22 anos de vida, o hatch compacto também coleciona defeitos comuns. Nos primeiros anos, o Fiat Palio apresentava falhas na pintura, com partes que descascavam e outras estufadas, entre as queixas rotineiras. Ar-condicionado que demora a gelar também era uma reclamação recorrente.

Fique atento também a problemas mecânicos. O atuador da embreagem é fonte frequente de reclamações dos carros e os freios costumam apresentar defeitos. Observe, ainda, trepidações excessivas na caixa de direção.