O recente recall de sete modelos da Stellantis por risco de incêndio acendeu o alerta em muitos proprietários: um chamado como esse desvaloriza o carro na hora da venda? A resposta curta é que o problema não está no recall em si, mas na atitude do dono do veículo diante da convocação da montadora.
Um recall, na verdade, demonstra a responsabilidade da fabricante em corrigir uma falha de projeto ou de componente, mesmo após o veículo já estar no mercado. Para o consumidor, o reparo é sempre gratuito e visa garantir a segurança de todos. Por si só, ter um recall no histórico não deprecia o automóvel.
O que realmente impacta negativamente o valor de revenda é um recall pendente, ou seja, que não foi atendido pelo proprietário. Isso acende uma grande luz vermelha para qualquer comprador ou avaliador, pois indica negligência com a manutenção e, principalmente, com a segurança.
Recall feito x Recall pendente: o que pesa no preço?
Um carro com o recall devidamente realizado e comprovado pode ser visto até com bons olhos. O registro mostra que o dono é cuidadoso e mantém o veículo em dia, o que transmite confiança. O comprovante do serviço, emitido pela concessionária, deve ser guardado e apresentado durante a negociação.
Por outro lado, um veículo com um chamado em aberto se torna uma grande dor de cabeça. O comprador sabe que terá o trabalho de levar o carro até uma autorizada para o conserto. Dependendo da gravidade da falha, como risco de incêndio ou problemas nos freios, muitos podem simplesmente desistir da compra.
Qualquer pessoa pode verificar a situação de um veículo. A consulta é pública e pode ser feita com o número do chassi no aplicativo da Carteira Digital de Trânsito (CDT) ou nos sites das próprias montadoras. Lojistas e avaliadores profissionais sempre fazem essa checagem.
Como agir na venda e na compra
Para quem está vendendo, a regra é clara: atenda ao chamado o mais rápido possível e antes de anunciar o carro. O processo é simples e não tem custo. Com o comprovante em mãos, você elimina qualquer argumento para desvalorização por esse motivo.
Já para quem está comprando, a verificação do histórico de recalls é um passo obrigatório. Caso identifique um chamado pendente, há dois caminhos:
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Exija o reparo: condicione a compra à realização do serviço pelo atual proprietário. É a opção mais segura.
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Use como argumento: negocie um desconto significativo no preço final para compensar o tempo e o trabalho que você terá para resolver a pendência.
Ignorar um recall em aberto é colocar a segurança em risco e assumir um problema que certamente aparecerá na próxima vez que você for vender o carro.
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