A promessa de durabilidade da correia banhada a óleo se transformou em uma grande dor de cabeça no mercado de seminovos. A tecnologia, que equipa modelos populares de marcas como Chevrolet, Ford, Peugeot e Citroën, gerou uma onda de desconfiança que hoje afeta diretamente o preço e a negociação de veículos usados em todo o Brasil.
Carros equipados com motores como o 1.0 Ti-VCT de três cilindros (Ford Ka) e o 1.2 PureTech (Peugeot 208 e Citroën C3) passaram a ser vistos com ressalvas. A polêmica também atinge em cheio os modelos da Chevrolet equipados com motor 1.0 e 1.2 turbo, como Onix, Onix Plus, Tracker e Montana, que estão entre os mais vendidos do país. A má fama da peça impactou a liquidez e a desvalorização desses veículos, que muitas vezes ficam mais tempo parados nas lojas.
Por que a correia virou vilã?
A correia banhada a óleo, também chamada de correia úmida, foi projetada com vida útil variável entre as montadoras: 160 mil km nos motores Ford de três cilindros e 80 mil km no motor 1.2 PureTech da Peugeot/Citroën, segundo os manuais dos fabricantes. No entanto, relatos de rompimentos prematuros se tornaram comuns. O problema central é a degradação da borracha da correia, cujos resíduos podem entupir o pescador (filtro) da bomba de óleo.
Com a lubrificação do motor comprometida, o resultado pode ser a perda total do propulsor, um prejuízo que facilmente ultrapassa os R$ 10 mil. A principal causa apontada para a falha é o uso de óleo fora da especificação da montadora ou o descumprimento dos prazos de troca.
O reflexo no mercado de usados
Atualizações das montadoras mudam o cenário
Diante da repercussão, a Chevrolet anunciou em novembro de 2024 uma garantia estendida de 240 mil km, sem limite de tempo, para a correia de veículos fabricados a partir de 2020. Além disso, a marca alterou o fornecedor do componente na linha 2026, buscando solucionar o problema de forma definitiva. Essa informação se tornou um diferencial importante na negociação de seminovos da marca.
Para quem está comprando, a recomendação é clara: exija o histórico completo de manutenções do veículo. Verifique se todas as trocas de óleo foram feitas no prazo correto e com o lubrificante especificado no manual. A ausência desse cuidado é um sinal vermelho.
A troca preventiva do conjunto da correia se tornou um item quase obrigatório na negociação. O custo do serviço, que pode variar entre R$ 2.000 e R$ 4.000, deve ser considerado no preço final. Veículos que já tiveram o componente substituído e possuem nota fiscal do serviço ganham uma enorme vantagem competitiva e transmitem mais segurança ao futuro dono.
-
Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!