Com a chegada da nova geração do Kicks e a despedida do Kicks Play, a Nissan reposicionou completamente seu SUV compacto. O modelo deixou de ser uma opção focada apenas no custo-benefício para subir de patamar, tanto em tecnologia quanto em acabamento, espaço e equipamentos. O novo Kicks cresceu, ficou mais sofisticado e agora disputa clientes com versões mais caras de T-Cross, Creta e HR-V.
A mudança também veio acompanhada de um novo posicionamento de mercado. Se antes o Kicks era conhecido por oferecer um bom equilíbrio entre preço e conteúdo, agora a versão Sense, de entrada, parte de R$ 168.690 na tabela oficial da Nissan, um valor que o coloca entre os SUVs compactos mais caros do segmento.
Visualmente, a evolução é evidente. As linhas são mais marcantes, os faróis em LED e as rodas de liga leve de 17 polegadas garantem uma aparência moderna, enquanto as novas dimensões dão ao SUV uma presença que lembra modelos de um segmento acima.
Cabine espaçosa, mas acabamento ainda pode evoluir
Por dentro, o salto também é grande. A cabine tem um desenho mais moderno, boa ergonomia e excelente aproveitamento de espaço. Os bancos Zero Gravity continuam sendo um dos grandes destaques do Kicks, oferecendo conforto acima da média, enquanto o banco traseiro acomoda bem três passageiros e o porta-malas de 470 litros está entre os maiores da categoria.
O acabamento, porém, ainda não acompanha totalmente a proposta do carro. Há bastante plástico rígido, os bancos são revestidos em tecido e alguns detalhes poderiam transmitir uma sensação maior de refinamento, principalmente considerando o preço cobrado.
A central multimídia de 12,3 polegadas merece elogios pela qualidade da tela e pela rapidez do sistema. Já o painel de instrumentos, com tela de 7 polegadas combinada a mostradores convencionais, cumpre seu papel, mas fica atrás do visual mais sofisticado das versões superiores.
Motor turbo melhora o desempenho, mas falta fôlego
A maior novidade mecânica está sob o capô. Sai o antigo 1.6 aspirado e entra um motor 1.0 turbo de até 125 cv e 22,4 kgfm de torque, sempre acompanhado de um câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas.
Na prática, porém, o desempenho não impressiona tanto quanto os números sugerem. O Kicks evoluiu em relação ao antigo modelo e ficou mais agradável de dirigir, mas em acelerações mais fortes e retomadas dá a sensação de que o motor não desenvolve tão bem os 125 cv anunciados. O conjunto privilegia uma condução suave e eficiente, mas quem espera respostas mais vigorosas pode terminar a avaliação com uma certa frustração.
Por outro lado, o câmbio é um dos pontos altos do carro. As trocas são rápidas, inteligentes e praticamente imperceptíveis durante a condução. Diferentemente de muitos SUVs equipados com transmissão CVT, o Kicks transmite uma sensação mais direta ao acelerar e torna a experiência ao volante mais prazerosa. Em baixas velocidades ainda há pequenas hesitações, típicas de transmissões de dupla embreagem, mas nada que comprometa o uso diário.
Conforto continua sendo referência
A suspensão mantém o foco no conforto, absorvendo bem as imperfeições do piso sem comprometer a estabilidade. O isolamento acústico também evoluiu bastante em relação ao antigo Kicks, deixando a cabine mais silenciosa em velocidades de cruzeiro e contribuindo para uma sensação de carro mais refinado.
Equipamentos justificam parte do preço
Mesmo sendo a versão de entrada, o Sense oferece uma lista bastante completa de equipamentos. Controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, seis airbags, freio de estacionamento eletrônico, ar-condicionado digital, chave presencial e a central multimídia de 12,3 polegadas fazem parte da lista de série.
É um pacote que coloca o Kicks entre os SUVs compactos mais completos da categoria quando o assunto é segurança e tecnologia, reduzindo a sensação de que se trata de uma versão básica.
Preço é o maior obstáculo
É justamente no preço que o novo Kicks enfrenta seu maior desafio. Os R$ 168.690 cobrados pela versão Sense fazem com que o SUV entre diretamente na disputa com versões intermediárias e até topo de linha de concorrentes como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Honda HR-V e Toyota Corolla Cross.
O conjunto é bom, a tecnologia embarcada é um diferencial e a lista de equipamentos é bastante competitiva. Ainda assim, nessa faixa de preço o consumidor naturalmente espera um acabamento mais refinado e um desempenho mais convincente do motor turbo.
Vale a pena?
O novo Nissan Kicks mostra que a marca acertou ao abandonar o projeto antigo e investir em uma nova geração muito mais moderna. O carro cresceu, ganhou tecnologia, segurança e conforto, além de um excelente câmbio de dupla embreagem.
Por outro lado, o novo motor 1.0 turbo não entrega toda a sensação de desempenho que os números prometem, principalmente considerando os 125 cv declarados. Não é um carro lento, mas também está longe de empolgar.
No fim das contas, o Kicks Sense convence pelo conjunto equilibrado, pelo espaço interno e pela tecnologia embarcada. Se tivesse um motor mais disposto ou um preço mais competitivo, seria um dos grandes destaques da categoria. Hoje, é um bom SUV, confortável e bem equipado, mas que exige uma análise cuidadosa antes da compra.
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