A expansão do mercado de carros elétricos no Brasil, impulsionada pelas vendas recordes de 2024, criou um cenário de boas oportunidades entre os seminovos em 2026. Modelos que antes custavam mais de R$ 200 mil zero-quilômetro hoje podem ser encontrados na faixa de R$ 85 mil a R$ 140 mil. No entanto, o que parece um excelente negócio pode esconder armadilhas caras, especialmente para quem não sabe o que avaliar.
Para evitar que a economia na compra se transforme em prejuízo, é fundamental ir além da checagem tradicional de lataria e suspensão. A atenção deve se voltar para componentes específicos da tecnologia elétrica. Confira cinco cuidados essenciais antes de fechar negócio.
1. A saúde da bateria de tração
Este é o coração e o componente mais caro de um carro elétrico. Verifique o índice de vida útil da bateria, conhecido como SOH (State of Health). Ele mostra a capacidade de retenção de carga em comparação a uma nova, e valores acima de 85-90% são considerados saudáveis para um usado. Uma degradação acentuada significa menor autonomia e a proximidade de uma troca que pode custar entre R$ 30 mil e R$ 80 mil, dependendo do modelo e capacidade da bateria. Peça um diagnóstico completo em uma concessionária ou oficina especializada.
2. Histórico de manutenção e recalls
Carros elétricos demandam menos reparos no motor, mas ainda necessitam de cuidados com fluidos, freios e suspensão. Mais importante que isso é conferir se todas as atualizações de software e campanhas de recall foram realizadas. Um histórico completo, preferencialmente feito em concessionárias autorizadas, indica que o veículo foi bem cuidado e está em dia com as melhorias do fabricante.
3. Sistema de recarga e cabos
Inspecione a porta de carregamento do veículo em busca de danos, folgas ou sinais de superaquecimento. Durante o teste, experimente carregar o carro em uma tomada comum (AC) e, se possível, em um carregador rápido (DC) para garantir que ambos os sistemas funcionam corretamente. Verifique também o estado de conservação dos cabos que acompanham o carro, pois a reposição tem um custo elevado.
4. Frenagem regenerativa em ação
Ao dirigir o veículo, preste atenção no funcionamento do sistema de frenagem regenerativa. Essa tecnologia usa a energia das desacelerações para recarregar a bateria e é responsável pela sensação de "freio-motor" nos elétricos. Se o sistema apresentar ruídos, trepidações ou não atuar de forma consistente, pode ser um sinal de problemas no conjunto motriz ou em módulos eletrônicos.
5. Parte elétrica e telas a bordo
A eletrônica embarcada é complexa. Teste todas as funções da central multimídia, do painel de instrumentos digital e do sistema de climatização. Telas que piscam, travam ou não respondem ao toque podem indicar falhas que vão além de um simples defeito no display, sendo, por vezes, um sintoma de problemas mais graves na rede elétrica do carro, cujo reparo é sempre caro e complexo.
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