O Jeep Avenger chegou ao Brasil com uma característica que pode surpreender quem já conhece os motores da Stellantis. O novo SUV é equipado com o motor 1.0 turbo T200, mas entrega 116 cv, enquanto o mesmo conjunto mecânico chega a 130 cv em outros modelos da marca. A diferença não aconteceu por uma limitação do motor, mas por uma mudança na calibração para atender às novas regras do IPI Verde.
A redução coloca o Avenger justamente em uma faixa de potência que pode ajudar a diminuir a carga tributária. O motor continua sendo um três cilindros turbo, com injeção direta, câmbio CVT de sete marchas simuladas e 20,4 kgfm de torque.
Por que o Avenger tem 116 cv?
A explicação está nas novas regras do IPI Verde, criadas dentro do programa Mover. Além da fonte de energia, a tributação dos automóveis passou a considerar critérios como eficiência energética, potência, segurança, reciclabilidade e características de produção.
No caso da potência, uma das faixas importantes termina em 85 kW, equivalentes a aproximadamente 115,6 cv. Até esse limite, o carro não recebe uma cobrança adicional pelo critério de potência.
É justamente aí que entra a nova calibração do T200. Com os 116 cv divulgados pela Jeep, o Avenger fica praticamente no limite de 85 kW. Se entregasse os 125 ou 130 cv encontrados em outros modelos da Stellantis, entraria em uma faixa superior de tributação.
Entre 85 kW e 105 kW, aproximadamente de 115,6 cv a 142,8 cv, há um acréscimo de 0,75 ponto percentual na alíquota pelo critério de potência. Para uma fabricante que produz milhares de veículos, evitar esse adicional pode representar uma economia relevante ao longo do ciclo de produção do modelo.
Além disso, o Avenger utiliza sistema híbrido leve de 12 volts e motor flex, solução que também contribui para sua pontuação dentro das regras tributárias.
Outros carros também perderam potência
O caso do Avenger não é isolado. A indústria brasileira já começou a adaptar motores para as novas exigências de tributação, e a tendência é que outros modelos sigam o mesmo caminho.
A Volkswagen, por exemplo, substituiu o antigo 200 TSI, que chegava a 128 cv, pelo 170 TSI de até 116 cv em modelos como Polo e Virtus. A mesma calibração também chegou ao Tera.
A Chevrolet fez movimento semelhante e passou a oferecer seu motor 1.0 turbo com 115,5 cv. Hyundai e Renault também trabalham em recalibrações para adequar seus propulsores às novas faixas.
Até a própria Stellantis já alterou outro motor. O 1.3 turbo T270, que chegou a desenvolver 185 cv com etanol, passou a entregar 176 cv em modelos como Jeep Renegade, Compass e Commander, além de Fiat Toro e Fastback.
Avenger ficou mais lento?
A redução de potência tem efeito no desempenho, mas não significa que o Avenger tenha se tornado um SUV lento. O modelo acelera de 0 a 100 km/h em 10,3 segundos com etanol e 10,7 segundos com gasolina, enquanto a velocidade máxima chega a 185 km/h.
Um dos motivos é que o torque de 20,4 kgfm foi preservado. Como essa força aparece em rotações mais baixas, a redução dos cavalos não necessariamente representa uma perda proporcional nas acelerações e retomadas do uso cotidiano.
Para efeito de comparação, o Fiat Pulse Impetus MHEV, que utiliza o mesmo T200 com até 130 cv, faz de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos com etanol e 9,7 segundos com gasolina. O Avenger, portanto, perde desempenho, mas a diferença aparece principalmente quando o motor é exigido em acelerações mais longas.
No fim, a redução de potência é menos uma decisão para melhorar o comportamento do carro e mais uma estratégia para adequá-lo à nova estrutura de impostos. O Avenger é um dos primeiros exemplos claros de como o IPI Verde pode influenciar até mesmo a calibração dos motores vendidos no Brasil.
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