A produção de carros de luxo no Brasil está redefinindo o segmento premium, tornando modelos sofisticados mais acessíveis ao consumidor. Marcas como BMW, Audi e, mais recentemente, as gigantes chinesas GWM e BYD, apostam na fabricação local como uma estratégia crucial para driblar o alto imposto de importação e a instabilidade do dólar, que encarecem os veículos trazidos de fora.
A principal vantagem é financeira. Modelos montados em outros países pagam uma alíquota de 35% de Imposto de Importação para entrar no Brasil. Ao produzir nacionalmente, as montadoras eliminam essa barreira, o que se reflete diretamente no preço final na concessionária. Essa economia permite que as empresas ofereçam valores mais competitivos ou aumentem suas margens de lucro no mercado brasileiro.
Essa tática não é nova, mas vem ganhando cada vez mais adeptos. A BMW, por exemplo, produz com sucesso o sedã Série 3 e o SUV X1 em sua fábrica de Araquari (SC), modelos que figuram entre os mais vendidos de suas respectivas categorias. A Audi também segue a mesma linha com o Q3 e o Q3 Sportback, montados em São José dos Pinhais (PR), em parceria com a Volkswagen.
A estratégia atrai novos gigantes
O movimento agora ganha força com a chegada de montadoras chinesas focadas em eletrificação. A GWM (Great Wall Motors) assumiu a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e já iniciou a produção de seus SUVs híbridos, com o objetivo de competir diretamente com modelos de marcas tradicionais. A nacionalização é um pilar para sua meta de liderança no segmento.
A BYD segue um caminho parecido ao anunciar um complexo industrial em Camaçari (BA), no local que antes pertencia à Ford. A empresa planeja fabricar não apenas carros de passeio elétricos e híbridos, mas também chassis de ônibus e caminhões elétricos, além de processar lítio e ferro fosfato para baterias.
Para o consumidor, a nacionalização significa acesso a tecnologias recentes com um custo final menor e maior agilidade na entrega e na oferta de peças. A tendência também aquece a concorrência, o que beneficia diretamente o comprador. Isso pressiona as marcas já estabelecidas a revisarem suas próprias estratégias de preço e oferta de equipamentos para não perderem espaço.
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