Uma Ferrari SF90 partida ao meio após um acidente na Gold Coast, Austrália, chocou o mundo, mas a imagem impressionante esconde um segredo de engenharia: o motorista, Sam Gordon, saiu sem nenhum ferimento. O episódio, ocorrido no último sábado (26 de julho), não revela uma falha, mas sim o sucesso de um projeto focado em proteger vidas em colisões de altíssima velocidade.
O segredo está na chamada célula de sobrevivência, também conhecida como monocoque. Construída em fibra de carbono e outros compósitos ultrarresistentes, essa estrutura central que envolve motorista e passageiro é projetada para permanecer intacta, não importando a força do impacto.
Diferente do aço usado em carros convencionais, a fibra de carbono é extremamente rígida e leve. Em um acidente, enquanto o restante do carro é projetado para se desintegrar e absorver energia, essa cápsula protetora mantém sua integridade, evitando que componentes externos invadam o habitáculo.
Essa tecnologia é uma herança direta das pistas de corrida, especialmente da Fórmula 1, onde os monocoques de carbono permitem que pilotos sobrevivam a acidentes a mais de 300 km/h. Nos supercarros de rua, o princípio é o mesmo: sacrificar o veículo para salvar os ocupantes.
Além da estrutura: o que mais protege
A segurança em um supercarro moderno é um sistema complexo, onde várias tecnologias trabalham em conjunto para minimizar os danos aos passageiros. A célula de sobrevivência é o coração dessa estratégia, mas outros componentes são igualmente cruciais.
Zonas de deformação programada: A dianteira e a traseira do carro são projetadas para amassar de forma controlada. Essa deformação absorve uma quantidade enorme de energia cinética que, de outra forma, seria transferida para os ocupantes. O motor e a transmissão, por exemplo, são montados em subchassis projetados para se soltarem da cabine em uma colisão severa.
Múltiplos airbags: Além dos airbags frontais, esses veículos contam com bolsas infláveis laterais, de cortina e até para os joelhos. Sensores espalhados pelo carro determinam em milissegundos quais airbags devem ser acionados e com que intensidade, dependendo do tipo e da força da batida.
Sistemas de prevenção de incêndio: O tanque de combustível geralmente fica localizado dentro da área mais protegida do monocoque. Em caso de acidente, sistemas automáticos cortam a bomba de combustível e a parte elétrica do veículo. Em modelos híbridos como a Ferrari SF90, que combina um motor V8 com três motores elétricos, existem também sistemas dedicados para proteger as baterias de íons de lítio, reduzindo drasticamente o risco de incêndio, uma preocupação constante em colisões de alta energia.
Testes de colisão para esses modelos são extremamente rigorosos e, em grande parte, virtuais, usando simulações computacionais avançadas antes mesmo da construção de um protótipo. Assim, quando um supercarro se desintegra em uma batida, muitas vezes é o sinal de que a engenharia de segurança funcionou exatamente como deveria.
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