Manter o motor do seu carro funcionando em perfeita sincronia é a missão de dois sistemas essenciais: a correia dentada e a corrente de comando. A escolha de um ou outro pela montadora define não apenas a durabilidade do propulsor, mas também o custo de manutenção ao longo dos anos. Entender a diferença entre eles é fundamental para evitar surpresas desagradáveis na oficina.
Ambos têm a mesma função: sincronizar o movimento do virabrequim, que recebe a força da queima de combustível, com o comando de válvulas, responsável pela entrada de ar e saída de gases. Um desalinhamento mínimo pode causar danos catastróficos ao motor. A grande diferença está no material e na forma como trabalham.
Como funciona a correia dentada
Feita de borracha, lonas e materiais sintéticos, a correia dentada é mais leve, silenciosa e barata de produzir. A vida útil varia conforme o fabricante e o projeto do motor, podendo ficar entre cerca de 60 mil e 120 mil quilômetros, além de um limite de tempo, normalmente entre 4 e 10 anos. Sempre prevalece o que determina o manual do veículo. Além do desgaste pelo uso, o material da correia também envelhece com o tempo, por isso a troca preventiva é obrigatória.
Se ela arrebentar, o prejuízo é grande, pois causa o chamado “atropelamento de válvulas”, quando os pistões se chocam com as válvulas, exigindo uma retífica completa do motor. Fique atento a sinais de desgaste, como rachaduras, ressecamento ou ruídos anormais, que podem indicar a necessidade de troca antecipada. O custo da substituição preventiva é significativamente menor do que o reparo do motor quebrado.
A robustez da corrente de comando
Já a corrente de comando é uma peça metálica, semelhante à de uma bicicleta, porém mais robusta. Sua principal vantagem é a durabilidade. Na teoria, foi projetada para durar toda a vida útil do motor, sem necessidade de troca preventiva, o que reduz o custo de manutenção a longo prazo.
Apesar de mais resistente, ela não está imune a problemas. Com o tempo e a quilometragem elevada, pode apresentar folgas ou falhas nos tensionadores, gerando ruídos que serves como alerta. Sua eventual substituição é um serviço complexo e caro, pois exige a desmontagem de grande parte do motor.
O alerta da correia banhada a óleo
Uma tecnologia que busca unir o silêncio da correia com a durabilidade da corrente é a correia banhada a óleo, também conhecida como correia úmida. Ela trabalha dentro do motor, em contato direto com o lubrificante, o que teoricamente reduziria o atrito e aumentaria sua vida útil.
O que parecia uma solução inovadora virou motivo de preocupação em alguns motores, como os que equipam modelos vendidos no Brasil como Chevrolet Onix e Tracker, Peugeot 208 e Citroën C3. Com o tempo, a correia pode se degradar, soltando partículas que contaminam o óleo. Esses resíduos podem entupir a bomba de óleo e outras galerias, comprometendo a lubrificação e levando a danos severos ao motor.
Qual sistema é o melhor?
Não há um sistema inerentemente superior ao outro; cada um possui vantagens e desvantagens. A corrente de comando oferece maior durabilidade e menor necessidade de manutenção, enquanto a correia dentada é mais silenciosa e barata de substituir preventivamente. O mais importante é saber qual sistema equipa seu veículo e seguir rigorosamente as recomendações do manual do fabricante para evitar danos graves e custos elevados de reparo.
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