O Honda Civic sempre foi um dos sedans mais importantes do mercado brasileiro, mas a atual geração G11, lançada no Brasil em 2023, não conseguiu repetir o sucesso dos modelos anteriores. Mesmo trazendo mais tecnologia, acabamento refinado e motorização híbrida, o modelo passou a ocupar um posicionamento muito mais premium, reduzindo drasticamente seu volume de vendas no país.
Em 2025, o Civic vendeu apenas 1.124 unidades no Brasil, número extremamente baixo quando comparado às gerações anteriores, que chegaram a ultrapassar facilmente a marca de 40 mil carros vendidos por ano. A situação mostra como o sedan deixou de disputar diretamente o mercado tradicional de médios, segmento que ele dominou durante muitos anos ao lado do Corolla.
Grande parte dessa queda aconteceu por uma mudança estratégica da própria Honda. Diferente do G10, produzido nacionalmente em Sumaré (SP) e vendido em várias versões, o G11 voltou ao Brasil importado da Tailândia e apenas em configuração híbrida topo de linha. Isso elevou bastante o preço do modelo, que passou a custar R$ 266.500, afastando parte do público tradicional do Civic.
Além do preço, o próprio mercado mudou bastante nos últimos anos, já que os SUVs dominaram o gosto do consumidor brasileiro, reduzindo o espaço dos sedans médios. Hoje, modelos como Corolla, Sentra e até eletrificados chineses disputam diretamente um público que antes praticamente pertencia, também, ao Civic.
Mesmo vendendo pouco, o G11 é reconhecido por muitos como uma das versões mais sofisticadas do Civic. O modelo aposta em um visual mais discreto e executivo, diferente da proposta mais agressiva do G10. Essa mudança faz parte da estratégia histórica da Honda, que costuma alternar entre gerações mais esportivas e outras mais elegantes.
O G8, por exemplo, tinha linhas futuristas e esportivas, enquanto o G9 adotou perfil mais sóbrio e refinado. Depois, o G10 voltou a chamar atenção com design baixo, agressivo e quase inspirado em cupês. Já o G11 seguiu caminho oposto, trazendo aparência mais limpa e madura, alinhada ao mercado norte-americano e ao foco premium da nova fase do modelo.
Mesmo distante do sucesso comercial de antigamente, o Civic atual continua sendo um carro muito elogiado por conforto, eficiência e tecnologia. O problema é que ele deixou de ser um sedan médio “popular premium” e passou a disputar um espaço muito mais exclusivo dentro do mercado brasileiro.
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