A crescente frota de carros elétricos no Brasil traz consigo uma dúvida comum para quem planeja pegar a estrada: como garantir que a bateria não vai acabar no meio do caminho? O medo de ficar sem autonomia, conhecido como “range anxiety”, ainda é real, mas a solução está no planejamento e na tecnologia disponível na palma da mão.
Viajar com um veículo elétrico exige uma mudança de mentalidade. Diferente de um carro a combustão, que pode ser abastecido em minutos, a recarga demanda tempo e uma infraestrutura específica. A boa notícia é que, impulsionada por uma frota que superou 245 mil veículos eletrificados em novembro de 2025, a rede de recarga tem crescido. O país contava com 16.880 pontos públicos e semipúblicos em agosto de 2025, e projeções indicam que esse número pode chegar a 25 mil até o final de 2026.
Como planejar sua viagem
O primeiro e mais importante passo é mapear os pontos de recarga ao longo do seu trajeto antes mesmo de sair de casa. Para isso, existem aplicativos essenciais que mostram a localização, o tipo de conector, a potência e até se o carregador está em uso ou em manutenção. Entre os mais populares estão:
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PlugShare: considerado o mais completo, funciona de forma colaborativa. Os próprios usuários avaliam e comentam sobre o estado dos eletropostos.
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Tupinambá: além de um mapa detalhado, permite ativar e pagar pela recarga diretamente pelo aplicativo em estações parceiras.
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Shell Recharge: focado na crescente rede da Shell, que tem instalado carregadores rápidos em seus postos nas principais vias do país.
A infraestrutura nas rodovias brasileiras
A cobertura de carregadores tem avançado em corredores importantes, como o que liga São Paulo ao Rio de Janeiro (Via Dutra) e o sistema Anhanguera-Bandeirantes. No entanto, é importante notar que a infraestrutura ainda é concentrada, com mais de 70% dos pontos localizados nas regiões Sudeste e Sul. Além disso, os carregadores ultrarrápidos (DC), essenciais para viagens, ainda são mais comuns nesses grandes eixos viários e nas capitais.
Durante a viagem, a prioridade deve ser pelos carregadores rápidos, de corrente contínua (DC). Eles podem recuperar até 80% da bateria em um período de 30 a 50 minutos, tempo ideal para um café ou uma refeição rápida. Os carregadores de corrente alternada (AC) são mais lentos e podem levar horas, sendo mais indicados para paradas longas ou pernoites.
Para garantir uma viagem tranquila, algumas práticas são fundamentais. Sempre verifique se o conector do eletroposto (geralmente Tipo 2 ou CCS2) é compatível com o seu veículo. Além disso, tenha sempre um plano B, identificando um segundo ponto de recarga próximo, caso o primeiro esteja ocupado ou com problemas.
Por fim, lembre-se de incluir o tempo de recarga no seu planejamento de viagem e, sempre que possível, inicie o percurso com a bateria em 100%. Essa simples medida oferece uma margem de segurança e torna a experiência na estrada muito mais tranquila.
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