x
UAI
Baixa KM

Rodar pouco também pode fazer mal ao carro?

Trajetos curtos, trânsito intenso, excesso de peso e até longos períodos sem uso podem acelerar o desgaste do carro

Publicidade
Carros circulam em avenida de São Paulo
Carros circulam em avenida de São Paulo Foto: Informação é melhor arma para não cair no golpe do boleto falso do IPVA

Nem sempre a baixa quilometragem é sinônimo de preservação. Um carro que roda pouco pode, por incrível que pareça, estar submetido a condições mais desgastantes do que outro que percorre longas distâncias em estrada. Isso acontece porque o intervalo de revisões sugerido pelas montadoras parte de um cenário considerado ideal, algo distante da realidade de muitos motoristas urbanos.

Nas cidades, o trânsito intenso impõe um ritmo irregular ao veículo com arrancadas sucessivas, frenagens constantes e funcionamento prolongado em baixa rotação mantém o conjunto mecânico sob tensão contínua. Ainda que o hodômetro avance lentamente, motor, freios e embreagem trabalham em condições pouco favoráveis.

O problema não se limita ao tráfego e fatores externos que interferem diretamente na durabilidade do carro: poeira de vias não pavimentadas pode reduzir a eficiência do filtro de ar e comprometer o desempenho do motor. Em regiões litorâneas, a maresia acelera processos de corrosão. Já temperaturas elevadas exigem mais do sistema de arrefecimento e da lubrificação.

A forma de utilização também pesa, principalmente no caso de veículos que transportam carga acima do limite especificado ou rebocam carretas com frequência, pois essas práticas submetem suspensão, pneus e sistema de freios a desgaste antecipado. No outro extremo, carros que passam vários dias parados e realizam apenas trajetos curtos enfrentam outro tipo de problema: o motor nem sempre atinge a temperatura ideal de funcionamento, o que prejudica a queima do combustível, favorece a formação de resíduos internos e acelera a degradação do óleo. A bateria também pode não receber carga suficiente.

Segundo a empresa de lubrificantes Motul, essas situações se enquadram no chamado uso severo. Rafael Recio, gerente de Produtos da Motul Brasil, afirma que não apenas quem dirige muitas horas por dia deve se preocupar. “Dirigir só aos finais de semana, ou só para ir ao mercado perto de casa, também pode reduzir a vida útil do motor.” No fim, mais do que a quilometragem acumulada, é o padrão de uso que determina o ritmo de desgaste do veículo.