Com os grupos automotivos cada vez maiores, é normal que empresas troquem peças entre si. Nas redes sociais, diversos perfis especializados em reparos de veículos de luxo mostram formas de pagar menos nos reparos, ao comprar peças de Audi para reparar um carro da Lamborghini, por exemplo. Um Youtuber está tentando consertar um Bugatti Chiron usando essa artimanha e levou uma chamada do CEO da Bugatti.
Mate Rimac, CEO da fabricante de supercarros, aproveitou o vídeo viral do Youtuber Mat Armstrong, que atualmente conta com mais de 8 milhões de visualizações em oito dias, para explicar um pouco mais sobre o reparo desses carros.
O veículo foi comprado por um homem chamado Alex, que contratou Mat Armstrong, especializado neste tipo de conteúdo, para reconstruir o Chiron. O veículo foi a leilão após um acidente, porém, foi comprado pelo próprio dono, que quer consertar o carro por razões sentimentais.
Segundo o youtuber, o proprietário está impossibilitado de comprar peças originais nos concessionários Bugatti, o que fará o reparo ser ainda mais complexo, e fez o mecânico pensar em imprimir peças em 3D.
De acordo com o vídeo, os faróis foram cotados em 150 mil dólares o par, e o airbag é exatamente o mesmo de um Aston Martin, precisando apenas que a parte da costura do volante seja refeita. O mesmo se aplica ao do passageiro, que é o mesmo de um Audi A3, segundo o britânico.
Reparos são inseguros
Após o vídeo alcançar grandes números, Mate Rimac, CEO da marca francesa, se pronunciou defendendo a marca e declarou que o Chiron em questão entrou em uma ‘lista proibida’, que impossibilita a venda de peças originais.
O executivo croata afirma que há danos significativos no assoalho e também nos apoios da transmissão no chassis, e que nenhuma oficina no mundo conseguiria realizar esses reparos, já que somente poucas pessoas são treinadas para realizar esse serviço, e somente a Bugatti possui as ferramentas necessárias.
A marca também não apoia o conserto independente, nem mesmo irá apoiar o projeto, já que será considerado inseguro. A própria marca realizou um orçamento de 1.7 milhão de dólares para consertar o modelo, mantendo a garantia e o selo de veículo aprovado pela marca. Porém, o proprietário recusou a oferta, e mesmo assim o valor foi reduzido para 600 mil dólares e recusado novamente.
Rimac declarou que a proposta de conserto ainda está de pé e que o proprietário se recusa a aceitar a proposta para se beneficiar com cliques nas redes sociais. O próprio mecânico, Mat Armstrong, declarou que a oferta feita pela marca é irrecusável, mas como ele foi contratado para o serviço, continuará tentando consertar o superesportivo.
Segundo o vídeo, foi pago mais de US$ 1,9 milhão na compra (R$ 10,2 mi) e mesmo com os custos de conserto pela marca, não chegaria ao preço cobrado por um exemplar no mercado de usados (seis milhões de dólares).
Reparos são mais complexos
Segundo o executivo, não basta apenas imprimir em 3D algumas peças e o reparo está finalizado. Há diversas peças complexas e que precisam passar por uma inspeção específica para funcionar da forma correta acima dos 400 km/h, e para suportar os 1500 cv e 160 kgfm de torque do esportivo.
Além disso, Rimac demonstrou testes com o acabamento de couro do airbag do passageiro do novo Tourbillon. Em temperaturas extremas como -20ºC, o tecido atrapalha o processo de abertura do airbag em alguns segundos, e demanda mudanças específicas no projeto do carro. Em um revestimento paralelo, não há esse cuidado nem a capacidade de realizar testes ou desenvolver o tecido especial.
- Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!