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Fim do EcoSport: produção tem os dias contados em todo o planeta

Fábrica na Índia encerrará suas atividades e Romênia mudará seu foco para veículos elétricos

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Frente de um Ford EcoSport. A placa dele está escrito ECOSPORT em caixa alta.
Lançamento do Ford EcoSport durante cerimônia de lançamento na fábrica da Ford do Vietnã REUTERS/Kham

Fora de linha no Brasil desde 2021, o Ford EcoSport está com os dias contados no restante do mundo. Primeiro SUV compacto do mercado nacional, o veículo não será produzido em nenhum lugar em 2023. A fábrica de Chennai, na Índia, que ainda o produzia, anunciou o fim das atividades nas próximas semanas e deve fornecer um lote final de apenas 1.500 unidades.

De acordo com a Ford, essas últimas unidades serão enviadas a mercados de exportação para cumprir contratos. A Argentina é um dos destinos: os hermanos recebem o EcoSport da Índia desde junho de 2021, quando a planta de Camaçari (BA) foi fechada.

Quando a unidade de Chennai encerrar suas atividades, o EcoSport passará a ser produzido somente em Craiova, na Romênia, mas seu fim também já tem data marcada. A fábrica do leste europeu será completamente modernizada para produzir carros elétricos e, por causa disso, deixará de produzir o SUV até o fim do ano.

Dessa forma, o Ford EcoSport, que nasceu no Brasil em 2003, chega ao fim em âmbito global, sem deixar sucessor ou nova geração. Ao longo dos anos, o veículo também chegou a ser fabricado na Tailândia, Rússia, Vietnã e China.

Lançada em janeiro de 2021, a última versão do SUV possui o motor 1.0 EcoBoost de 125 ou 140 cv, associado ao câmbio manual ou automático de 6 marchas. Em outros mercados, é ofertado um propulsor 1.5 EcoBlue turbodiesel de iguais 125 cv.

Dinastia dos SUVs compactos

O EcoSport já foi rei no Brasil. De 2003 a 2011 o modelo foi campeão de vendas entre os SUVs compactos no Brasil. Também foi líder de mercado em 2013 e em 2014. Ao total, foram 11 anos como ponteiro do segmento. Entre os SUVs compactos, rivalizava principalmente com o Renault Duster.

No entanto, o reinado começou a se abalar em 2012, com a ascensão do Duster, e se agravou de vez a partir de 2015 com a invasão de outros SUVs, como Jeep Renegade, Honda HR-V, Nissan Kicks e Hyundai Creta.

Homem inspeciona um Ford Ecosport na fábrica de Camaçari, na Bahia.  Há vários veículos em sequência.
Fábrica de Camaçari, na Bahia, foi a primeira a produzir o Ford EcoSport

O EcoSport nasceu de um rabisco num guardanapo de restaurante, em 1996. O traço era do então engenheiro-chefe da Ford, Luc de Ferran. Entretanto, o projeto só se concretizou em 2002, no complexo de Camaçari (BA). Sobre a base do Fiesta, o modelo tinha uma versão inovadora, com design diferenciado, e claro, a tampa traseira de abertura lateral com o estepe preso à ela.

De preço inicial baixo, o EcoSport 2003 tinha o mesmo motor do Fiesta: o propulsor 1.0 Supercharger, com compressor mecânico, que rendia 95 cv e pagava menos imposto. Era conhecido por ser fraco e “beberrão”. A linha também era possuía o 1.6 Rocam de 98 cv e o 2.0 Duratec de 143 cv, sempre com câmbio manual de 5 marchas.

Alguns meses depois chegou a versão 4×4 (4WD), com motor 2.0, já como linha 2004. Houve também uma versão com cãmbio automático de quatro marchas.

A segunda geração do modelo foi apresentada em 2012, dessa vez de forma global. Vendido também na Europa, o EcoSport possuía a plataforma do New Fiesta, e a versão de entrada contava com um motor 1.6 Sigma, de 115 cv. As outras opções mantinham o 2.0 Duratec, agora com 147 cv e opção do câmbio automatizado de dupla embreagem e 6 marchas (Powershift).

Posteriormente, essa transmissão também chegaria à versão com motor 1.6, atualizado com duplo comando variável, chegando a 135 cv. Na versão 4×4, com motor 2.0, o câmbio manual passava a ser de 6 marchas. 

Com a chegada de diversos SUVs concorrentes, a segunda geração do Eco recebeu a primeira reestilização em 2017. Com essa mudança, o veículo passou a ser vendido também nos Estados Unidos. No visual, a dianteira foi alterada e a versão ganhou novas rodas. 

Já na parte mecânica, o motor 1.6 deu lugar ao 1.5 de 3 cilindros da nova família Dragon, enquanto a transmissão Powershift foi trocada por uma automática convencional, também com 6 marchas, tanto no modelo 1.5 quanto no 2.0. Este, por sua vez, recebeu injeção direta e chegou a 176 cv.

O mercado atual de SUVs no Brasil

O segmento dos SUVs é o que mais vende no Brasil desde maio de 2020, quando obteve 31,75% dde participação no mercado de carros novos, deixando para trás os hatches pequenos, que naquele mês foram responsáveis por 28,59% dos emplacamentos no Brasil. Os dados são da Federação Brasileira da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Os cinco veículos mais vendidos no varejo no último mês foram SUVs ou crossovers. A vitória ficou com o Hyundai Creta (4.733). Em seguida estão o Chevrolet Tracker (4.036) e o Fiat Pulse (3.900). Volkswagen T-Cross (3.483) e Toyota Corolla Cross (3.333) vieram na sequência.

Veja o teste do VRUM com o Ford EcoSport Storm: