A parceria de 34 anos entre o Grupo Gandini e a Kia está prestes a acabar. Segundo informações apuradas pelo jornalista João Anacleto, a fabricante sul-coreana terá sua operação controlada pela conterrânea Hyundai para encerrar uma disputa judicial.
Segundo apuração, a medida acontece para encerrar a dívida de 6 bilhões (valores corrigidos pela inflação) que a Kia possuía com o governo brasileiro por conta de créditos e incentivos fiscais para a construção de uma fábrica para a antiga Asia Motors em Camaçari (BA), que seria responsável pela produção local das vans Topic e Towner.
A fábrica da Asia Motors nunca saiu do papel e desde então há disputa jurídica nos tribunais. A Asia Motors tinha como principal acionista a Kia, que passou a ser considerada como sucessora da Asia Motors.
A trajetória da Asia Motors chegou ao fim em 1996, enquanto a própria Kia passava por problemas financeiros na Coréia do Sul. Em 1998, a Kia foi comprada pela conterrânea Hyundai, que fez com que a marca atingisse altos níveis de produto e competitividade global.
No Brasil, a Kia era representada pelo Grupo Gandini, que passou a ser considerado o responsável pela dívida. Essa questão atrapalhou planos de expansão e até mesmo a criação de uma fábrica.
Acordo com governo
De acordo com a apuração de João Anacleto, a Kia conseguiu o perdão da dívida com o governo brasileiro, mas em contrapartida, terá que construir uma fábrica no país. Por conta dessa obrigação, a tendência é que o Grupo Hyundai, controlador da Kia, passe a ser o representante da marca no Brasil e realize a construção da fábrica. A fonte afirma que a fábrica será erguida em Piracicaba, ao lado da já existente fábrica da Hyundai.
As informações ainda não foram oficializadas, mas espera-se que a fábrica da Kia seja inaugurada até 2028 e crie 5 mil postos de empregos diretos e 15 mil indiretos.
O que diz Gandini?
Em entrevista à Quatro Rodas, José Luiz Gandini, presidente da Kia do Brasil e responsável pela importação dos carros da marca, declarou que a negociação entre Kia e o governo brasileiro existe, mas não há nada confirmado.
“Caso o governo aceite perdoar a dívida, a Kia construirá uma fábrica e eu saio da jogada, só que não há nada definido ainda. Pode ser que eu continue por aqui por mais 34 anos”, declarou o executivo.
• Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!