O governo federal atualizou a portaria do Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e alterou a forma como a eficiência energética das montadoras é calculada no Brasil. A nova lógica cria multiplicadores que aumentam o peso regulatório de veículos híbridos e elétricos nas metas ambientais, movimento que pode acelerar a eletrificação do mercado nacional nos próximos anos.
A mudança não cria uma nova medição de consumo para o público, mas redefine a “contabilidade” interna usada para avaliar a média de eficiência das frotas vendidas pelas fabricantes. Em vez de analisar carros isoladamente, o programa considera o conjunto anual de modelos comercializados, permitindo que veículos mais eficientes compensem versões a combustão com maior consumo.
Com a nova regra, tecnologias eletrificadas passam a valer mais no cálculo final. Híbridos podem contar como até 1,5 veículo, híbridos plug-in chegam a peso 2, elétricos a bateria valem 3 unidades e modelos a hidrogênio podem atingir multiplicador 4. Na prática, isso funciona como um bônus regulatório que ajuda as montadoras a cumprir metas ambientais sem abandonar imediatamente motores tradicionais.
Essa matemática invisível ao consumidor tende a influenciar diretamente o mix de produtos nas concessionárias. Modelos eletrificados deixam de ser apenas vitrines tecnológicas e passam a ter papel estratégico para equilibrar as planilhas das marcas, o que pode acelerar o lançamento de híbridos e elétricos, inclusive em segmentos mais acessíveis.
O movimento também indica uma transição gradual do mercado brasileiro para soluções de menor emissão. Mesmo com avanços em motores a combustão, como downsizing e ciclos mais eficientes, a eletrificação ainda que leve, passa a ser peça central para atender às exigências futuras do programa, redesenhando a estratégia das fabricantes no país.
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