Na última quinta-feira (28) a Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público, Agência Nacional do Petróleo e outras autoridades deflagraram a Operação Carbono Oculto, que visa desarticular um esquema criminoso que envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC) e que tem nos postos de combustíveis de São Paulo a sua principal fonte de renda.
Segundo as autoridades, a organização criminosa importava metanol, nafta e diesel de forma irregular e com o apoio de formuladoras, distribuidoras e postos de combustíveis, adulterava os combustíveis e os vendia para o consumidor final.
O que é o metanol?
O metanol é uma substância química que é familiar do etanol e é utilizada como solvente de combustíveis. No Brasil, é utilizado na composição do biodiesel, por exemplo. Essa substância já foi até utilizada como substituto momentâneo do etanol no Brasil, mas seus riscos e alto índice de periculosidade, tornaram seu uso inviável.
Segundo as regras atuais da ANP, a gasolina e o etanol utilizados nos carros de passeio no Brasil só podem rodar com no máximo 0,5% de metanol em sua composição. De acordo com as investigações da operação, os combustíveis fraudados continham até 90% de metanol.
Apesar disso, o metanol pode ser utilizado como combustível e chegou a ser adotado por competições nos anos 80 e 90 por conta de sua alta octanagem e eficiência energética. Entretanto o combustível foi sendo removido das competições por alternativas mais ecológicas e também mais seguras.
O principal problema do metanol é justamente a segurança. Um incêndio com metanol é caracterizado por ter uma chama invisível, ao contrário das chamas de gasolina. Um dos grandes exemplos é o incidente causado nas 500 milhas de Indianápolis de 1981, onde um incêndio invisível começou no carro de Rick Mears.
Além disso, o Metanol é altamente tóxico para o corpo humano, podendo causar desde sintomas simples como dor de cabeça e vômito, mas também causar cegueira e até mesmo a morte se ingerido ou inalado por longos períodos. Em contato com a pele, essa substância pode deixar a pele seca e quebradiça.
Como o metanol é prejudicial ao seu carro?
Como é um combustível que o carro não foi preparado para receber, o metanol pode queimar e corroer diversos componentes por onde o combustível passa como bombas de combustível, bicos injetores, entre outros. Ao longo do tempo, essa substância pode bloquear o funcionamento das válvulas.
Se o metanol pode ser utilizado como combustível de corrida, como ele pode fazer mal para o meu carro? Simples, os carros de rua são fabricados para rodar com gasolina e etanol, combustíveis mais simples e com nível de octanagem menor, enquanto os motores de competição são produzidos com materiais específicos e para abastecimento justamente com esse combustível.
Além disso, carros de passeio precisam funcionar por décadas com o mesmo motor, ao contrário de carros de competição. Especialmente nos anos 80 e 90, algumas categorias utilizavam motores somente para uma corrida ou somente para provas de classificação, onde deveriam rodar com o máximo de potência possível.
Como identificar combustível adulterado?
Os carros mais modernos são configurados de fábrica para trabalhar com diversas combinações de combustível, especialmente os modelos flex. Quando o combustível é adulterado, ele pode conter mais água (ou até mesmo metanol) do que o aceito pela injeção.
O primeiro sinal será um consumo de combustível maior do que o habitual. Além disso, o carro pode começar a apresentar falhas no seu funcionamento tradicional. O mais comum é que a luz da injeção acenda no painel assim que a central eletrônica do veículo detecte alterações no padrão de combustível.
Segundo a ANP, o consumidor pode verificar se o posto de combustível é registrado na associação e a bomba de combustível deve ter, obrigatoriamente, a identificação da distribuidora que forneceu o combustível disponível.
O consumidor pode sempre solicitar o teste de proveta, que mede a porcentagem de etanol anidro misturado na gasolina. Os postos devem conter os equipamentos necessários e um funcionário capacitado para realizar os testes sempre que o consumidor solicitar.
Quem abastece com etanol, pode consultar o termodensímetro, equipamento obrigatório que deve estar fixado nas bombas de etanol e funcionando com fluxo de etanol contínuo durante o abastecimento. O consumidor deve verificar também se o etanol está límpido, isento de impurezas e sem coloração laranja ou azul, caso contrário, a ANP recomenda não abastecer.
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