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AVALIAÇÃO

Fiat Titano: nova caminhonete está à altura das concorrentes?

Picape média tem trunfos diante das rivais, mas também exibe alguns pontos negativos

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Versão Volcano é a intermediária da gama da Fiat Titano
Versão Volcano é a intermediária da gama da Fiat Titano Foto: Jorge Lopes/EM/D.A.Press
NOTA DO VRUM:
6 Nota VRUM

A Fiat domina há anos os segmentos de caminhonetes compactas e médio-compactas com Strada e Toro, respectivamente, mas demorou para ter um modelo médio: só entrou nesta categoria no último mês de março, com a Titano. Será que essa novidade tem cacife para encarar concorrentes como Chevrolet S10, Ford Ranger e Toyota Hilux? Assista ao vídeo!

Primeiramente, cabe esclarecer que a Fiat Titano é baseada na Peugeot Landtrek, cujo projeto, por sua vez, deriva da caminhonete chinesa Changan Kaicene F70. As duas primeiras são, inclusive, produzidas na mesma fábrica, no Uruguai, e têm design praticamente idêntico: se distinguem apenas pelo formato da grade dianteira. O visual é harmonioso, mas um tanto genérico, longe da personalidade da picape Toro.

 

Na versão intermediária Volcano, avaliada pelo VRUM, a Fiat Titano traz rodas de liga leve de 17 polegadas, mas os faróis (principais e de neblina) e as lanternas têm iluminação halógena. Até aí, tudo bem. Dura mesmo é a ausência de estribos laterais, que são exclusivos da top de linha Ranch. Sem eles, entrar e sair da picape torna-se muito desconfortável: para idosos, tal tarefa chega a ser desafiadora. 

Por dentro da Fiat Titano

Uma vez instalados no interior da Fiat Titano, os ocupantes desfrutam de boas acomodações. Para o motorista, há uma coluna de direção com ajustes em altura e em distância, além de volante com boa pegada e um banco ergonômico. A instrumentação do painel é completa, com velocímetro e conta-giros são analógicos e uma telinha colorida de 4,2 polegadas mostra até o nível do aditivo à base de ureia para o motor a diesel (Arla 32).  

No banco traseiro há difusores de ar dedicados, além de entrada USB, apoio de braço central e até ganchinho retrátil para pendurar bolsas e sacolas. Mas os passageiros da segunda fileira sofrem de males típicos de picapes construídas sobre chassi, como o assento muito baixo, que deixa as penas sem apoio, e o encosto verticalizado. Ao menos o vão paras as pernas é razoável, e a cabine é larga o bastante para que três adultos se acomodem ali sem martírio. 

Painel da Fiat Titano Volcano
Painel da Fiat Titano tem elementos típicos da Peugeot; acabamento é todo em plástico Foto: Jorge Lopes/EM/D.A.Press

Ponto em que a picape deixa a desejar é no acabamento, todo em plástico. É verdade que a maioria das caminhonetes do segmento também abusa esse tipo de material, mas ao menos as concorrentes costumam trazer algum elemento para disfarçar a simplicidade, como uma faixa emborrachada no painel ou algum aplique metalizado. Já na Fiat Titano Volcano, não há qualquer traço de requinte. A destacar, só a presença de apoios de braço estofados nas quatro portas. 

Conectividade

A central multimídia da Fiat Titano é típica dos veículos da Peugeot e da Citroën, com tela de 10 polegadas bem horizontalizada. Há conexão sem fio para espelhamento de celulares AndroidAuto e Apple CarPlay e reconhecimento por comando de voz. O sistema traz até um HD interno de 10 GB. O manuseio é intuitivo, mas o equipamento se mostrou lento em algumas situações.

Equipamentos da Fiat Titano Volcano 2025

DE SÉRIE

Seis airbags (frontais, laterais e do tipo cortina), controle de estabilidade e de tração, bancos revestidos em material que imita couro, banco do motorista com ajuste de altura, ar-condicionado digital com porta-luvas refrigerado, rodas de liga leve de 17 polegadas, controlador de velocidade, bloqueio do diferencial traseiro, limitador e controlador da velocidade de cruzeiro, controlador de velocidade em descidas,  assistente de partida em rampa, central multimídia com tela de 10 polegadas, conectividade sem fio às plataformas Apple CarPlay e Android Auto e Bluetooth, sensores de ré, câmera de ré e em 90º à direita do motorista, faróis de neblina, volante multifuncional revestido em couro com ajustem em altura e distância, travas, retrovisores e vidros elétricos (mas sem sistema um-toque para subir e descer).

OPCIONAIS Pintura metálica (R$ 2.490).

Ao volante

O motor da Fiat Titano é um 2.2 turbodiesel, da família BlueHDi, de origem Peugeot. Na versão Volcano, ele é combinado a um câmbio automático de seis marchas e desenvolve 180cv de potência e 40,8kgfm de torque. Esses números estão entre os mais baixos da categoria, mas o fato é que proporcionam desempenho adequado à proposta. 

A picape não impressiona nas arrancadas, porém, tampouco deixa a desejar. Em rodovias, a Fiat Titano consegue sustentar velocidades em torno de 120km/h sem dificuldade, mesmo em aclives, e transmite segurança em ultrapassagens. O que incomoda quando se acelera é o barulho do motor, que invade o habitáculo com vontade: o isolamento acústico é deficiente mesmo para uma picape a diesel.

O casamento entre motor e câmbio também não é dos melhores: a central eletrônica "segura" muito as marchas, demorando a fazer as trocas em determinadas situações. E, se o motorista quiser operar a caixa sequencialmente, precisa dar toques na alavanca, pois não há borboletas no volante. A elogiar, está o efeito de freio-motor em descidas. E também os três programas de condução, Normal, Eco e Sport, que se fazem notar bastante nas trocas de marchas.

Acerto da suspensão é ponto fraco

Porém, o grande ponto fraco na dirigibilidade é o acerto de suspensão. O conjunto não filtra bem as imperfeições do solo e, mesmo em vias asfaltadas, os ocupantes sentem todos os desníveis da pavimentação. Ainda que o conforto de marcha não seja o ponto alto das picapes, todas as concorrentes da Fiat Titano têm rodar mais suave.  

Em vias de terra, logicamente, o desconforto aumenta: nesse tipo de situação, a coluna de direção também transmite impactos nas mãos do motorista. Entretanto, a altura em relação ao solo, de  generosos 23,5cm, mantém a picape livre de esbarrões em obstáculos. Claro, não falta tração 4x4 com reduzida, que cumpriram bem o papel em subidas íngremes e em trechos de terra fofa.

Fiat Titano Volcano vermelha, de lateral, estacionada em local asfaltado, com vegetação ao fundo
Titano Volcano traz rodas de liga leve de 17 polegadas, mas não vem com santantônio nem com estribos laterais Foto: Jorge Lopes/EM/D.A.Press

Pelo menos a estabilidade, para uma caminhonete média, é boa. A Fiat Titano é firme em curvas, mesmo em velocidades mais altas. Não que isso justifique o tal acerto de suspensão tão duro, mas já é uma contrapartida. E os freios, ainda que empreguem tambores na traseira, em vez de discos,  demonstraram eficiência durante a avaliação. A picape não prega sustos em frenagens, e o pedal tem boa modulação.
No mais, uma direção hidráulica complementa o conjunto mecânico. Não há aquela leveza típica da assistência elétrica em manobras, mas, dentro das possibilidades, o resultado agrada. Há efeito regressivo em alta velocidade, porém a relação da direção poderia ser um pouco mais direta. 

Consumo da Fiat Titano

Em consumo, a Fiat Titano se saiu bem: as aferições do VRUM apontaram médias de 9,0km/l na cidade e de 10,7 km/lna estrada. São números melhores que os divulgados pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, e adequados para uma caminhonete média movida a diesel. 

Caçamba

Na caçamba, a Fiat Titano está parelha às rivais. A capacidade de carga é de 1.020kg, e a capacidade de reboque, de 3,5 toneladas. A caçamba tem 1.211 litros de volume com o protetor ou 1.314 litros sem ele. Cabe destacar que o sistema de suspensão emprega eixo rígido e molas semi-elípticas na traseira, uma solução típica de picapes, que lida bem com pesos mais elevados.

Fiat Titano Volcano vermelha, de traseira, estacionada em local asfaltado, com vegetação ao fundo
Capacidade de carga da Fiat Titano é de 1.020kg Foto: Jorge Lopes/EM/D.A.Press

O compartimento de carga tem iluminação, tomada 12V, protetor e capota marítima. A reclamar, da tampa sem sistema de alívio de peso (é bastante pesada) e sem trava elétrica: para trancá-la é preciso girar a chave na fechadura, como nos veículos do século passado.

Vale a pena?

A Fiat Titano chegou ao mercado em um momento no qual as concorrentes estão passando por evoluções. Chevrolet S10 e Ford Ranger já foram atualizadas, enquanto Toyota Hilux e Volkswagen Amarok receberão melhorias ainda neste ano. Nesse cenário, a nova contendora demonstra que não está madura em quesitos como acabamento, isolamento acústico e acerto de suspensão.  
Por outro lado, a Fiat Titano tem um trunfo para se destacar nesse segmento tão competitivo: o preço, que, na versão Volcano, é de R$ 239.990. Não que seja pouco, mas o caso é que esse valor está abaixo do que é cobrado pelas versões intermediárias das demais picapes médias. Algumas das concorrentes chegam a beirar os R$300 mil com pacote de equipamentos parecido. E o apelo ao bolso é sempre um forte argumento para atrair compradores. 

Ficha técnica da Fiat Titano Volcano 2025

MOTOR Dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, com pistões de 85mm de diâmetro e 96mm de curso, 2.179cm³ de cilindrada, 16 válvulas, com injeção direta e sobrealimentação por turbocompressor de geometria variável, a diesel
POTÊNCIA 180cv a 3.750rpm
TORQUE 40,8kgfm a 2.000rpm
TRANSMISSÃO Tração traseira, com opção de 4×4 e reduzida, e câmbio automático de 6 marchas
SUSPENSÃO Dianteira, independente, com braços oscilantes e barra estabilizadora; e traseira com eixo rígido fixado e molas semi-elípticas
RODAS/PNEUS 17 polegadas (liga leve)/265/65 R17
DIREÇÃO Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
FREIOS Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS
CAPACIDADES Tanque, 80 litros; capacidade de carga (passageiro e carga), 1.020 quilos; reboque (com freio), 3.500 quilos
DIMENSÕES Comprimento, 5,33m; largura, 1,96m; altura, 1,90m; distância entre-eixos, 3,18m
MEDIDAS OFF-ROAD Altura em relação ao solo, 23,5cm; ângulo de entrada, 29°; ângulo de saída, 27°
CAÇAMBA Volume, 1.220 litros
PESO  2.097 quilos
CONSUMO* Cidade: 8,6 km/l
Estrada: 9,3 km/l

Dados do fabricante; *Dados do PBEV do Inmetro

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