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CEO da Mercedes alerta: carros vão ficar ainda mais caros na Europa

Medidas da União Europeia contra importações podem elevar custos da indústria; executivo defende novos acordos comerciais globais para o setor

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Carrocerias em uma linha de montagem industrial representam a indústria automotiva no centro dos debates da União Europeia sobre políticas comerciais
Carrocerias em uma linha de montagem industrial representam a indústria automotiva no centro dos debates da União Europeia sobre políticas comerciais Foto: Divulgação/Mercedes?Benz

A União Europeia finaliza um acordo com a China destinado a limitar a importação de carros híbridos e híbridos plug-in. A redução da concorrência externa pode encarecer os modelos fabricados no continente, enquanto os legisladores comunitários tentam fortalecer a indústria regional com exigências de produção local.

O plano se estrutura por meio da Lei de Aceleração Industrial. A proposta estabelece o critério de origem europeia para a concessão de subsídios públicos voltados à aquisição de veículos e à contratação de frotas corporativas ou estatais.

Críticas da indústria automotiva

A iniciativa enfrenta forte oposição interna no setor. A montadora Toyota manifestou desacordo com a lei porque a medida retira vantagens comerciais concedidas a parceiros confiáveis do bloco: Japão, Reino Unido, Turquia e Coreia do Sul.

O diretor-executivo do Grupo Mercedes-Benz, o sueco Ola Källenius, também criticou a postura regulatória europeia. Ele alertou que o fechamento do bloco ao comércio internacional provocará aumentos inevitáveis no valor final cobrado pelos automóveis.

Os preços dos veículos já subiram de forma expressiva nos últimos anos devido aos investimentos exigidos no desenvolvimento de tecnologias de baixas emissões. O executivo destacou que as barreiras protecionistas vão onerar ainda mais as fabricantes e os compradores.

Impacto na produção global

Além de liderar a montadora alemã, Källenius preside a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA). O dirigente explicou que a tentativa de blindar o mercado comunitário adiciona restrições burocráticas, encarece os custos produtivos e gera distorções nas cadeias globais de suprimentos.

Em entrevista a um jornal berlinense, Källenius argumentou que o modelo industrial depende da integração planetária: "um carro moderno contém milhares de componentes procedentes de todos os cantos do mundo para maximizar a eficiência".

O executivo afirmou que a Europa não pode atuar como uma ilha e romper negócios com parceiros fundamentais como Estados Unidos, Japão e a própria China. Para solucionar o entrave, Källenius defendeu a celebração de novos tratados econômicos pela União Europeia, valorizando as tratativas para concluir o acordo pendente com a América do Sul e o avanço dos diálogos com a Índia.

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