x
UAI
Desvaloriza muito?

Por que elétricos desvalorizam mais que carros a combustão no Brasil

Tecnologia evolui rápido, modelos novos chegam com mais autonomia e preços menores; entenda os fatores que aceleram perda de valor

Publicidade
Yuan Plus é o quarto modelo elétrico mais vendido da BYD no país
Yuan Plus é o quarto modelo elétrico mais vendido da BYD no país Foto: Imagem/Divulgação

Comprar um carro elétrico no Brasil em 2026 pode significar uma perda de valor acentuada em um curto período. Estudos de 2025, por exemplo, apontaram que modelos como o JAC E-JS4, que era vendido por cerca de R$ 254 mil, registraram uma desvalorização de 37,5% em apenas um ano, um índice significativamente maior que o de veículos a combustão.

Essa queda vertiginosa nos preços tem uma explicação central: a rápida evolução da tecnologia. A cada novo lançamento, os carros elétricos chegam com baterias mais eficientes, maior autonomia e softwares mais avançados, tornando os modelos do ano anterior rapidamente obsoletos aos olhos do consumidor.

Diferente do mercado de carros a combustão, onde as mudanças tecnológicas são incrementais, no universo dos elétricos um veículo com apenas 12 meses de uso já pode parecer ultrapassado. Essa percepção de defasagem tecnológica pressiona os preços dos seminovos para baixo de forma agressiva.

A guerra de preços dos novos

A ofensiva de marcas chinesas, como BYD e GWM, intensificou esse cenário. Com lançamentos constantes e preços competitivos, elas forçam todo o mercado a se reajustar. Um carro que custava R$ 200 mil em 2025, por exemplo, compete em 2026 diretamente com um modelo zero-quilômetro de R$ 150 mil que oferece mais recursos e maior alcance.

GWM Ora 03
Ora 03 será produzido em nova fábrica da GWM Foto: GWM/Divulgação

Essa dinâmica cria um ciclo vicioso para o valor de revenda. O preço do carro novo cai, e o valor do usado precisa cair ainda mais para se manter atrativo, gerando um efeito cascata que penaliza quem comprou o veículo há pouco tempo.

A incerteza sobre a bateria

O componente mais caro de um carro elétrico, a bateria, é também a maior fonte de desconfiança no mercado de usados. A vida útil e o custo de uma eventual substituição, que pode representar uma parcela significativa do valor do veículo, ainda geram insegurança nos compradores. Embora muitos fabricantes ofereçam longas garantias para este componente, a percepção de risco ainda impacta o valor de revenda.

A ausência de um mercado consolidado para reparo ou troca de baterias fora da rede autorizada e a falta de um padrão claro sobre a degradação da capacidade de carga contribuem para o receio. Com isso, quem busca um elétrico usado encontra ofertas tentadoras, mas assume o risco de uma tecnologia em constante mudança e de um componente essencial com futuro incerto.

• Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!