A produção de veículos no Brasil registrou um crescimento de 8,3% no acumulado do ano, posicionando o país como o segundo que mais cresce entre os principais produtores globais, atrás apenas da Índia (14,5%). O Japão também teve alta de 2,9%, enquanto Estados Unidos e China recuaram 11,7% e 4%, respectivamente.
Em julho, a indústria nacional produziu 253,9 mil autoveículos, um aumento de 3,1% em relação a junho e de 5,9% na comparação com julho de 2025. Os dados foram divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
Igor Calvet, presidente da entidade, classificou o resultado como expressivo, apesar dos desafios nas exportações e da entrada de importados acima da média.
Vendas aquecidas e eletrificados em destaque
O mercado interno também apresentou números fortes. Com 279,5 mil unidades emplacadas, julho foi o melhor mês do ano em vendas, com alta de 2,6% sobre junho e de 14,9% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado, o setor já superou 1,7 milhão de veículos, um avanço de 17,9%.
Apesar do volume total, a média diária de vendas teve uma leve retração, com 12,2 mil unidades por dia, a menor em quatro meses. Isso ocorreu porque julho teve 23 dias úteis, contra 21 em junho.
Os veículos eletrificados atingiram uma participação recorde de 23,5% nos emplacamentos de julho. Há um ano, esse percentual não chegava a 11%. No acumulado de 2026, o crescimento do segmento é de 120,8%. Apenas os elétricos puros somaram 25,8 mil unidades vendidas no mês, o maior número da série histórica.
Importações sobem e exportações caem
Enquanto as vendas internas crescem, a balança comercial mostra um cenário distinto. As exportações somaram 39,3 mil unidades em julho, mas acumulam uma queda de 20,8% no ano, influenciada pela redução de 35,4% nos envios para a Argentina.
Na direção oposta, o Brasil importou 344,1 mil veículos nos primeiros sete meses do ano, uma alta de 25,7%. A China mais do que dobrou suas vendas para o país, com um aumento de 105,4%, e o México expandiu sua participação em 23,8%.
Segundo Calvet, o volume de importados é superior à produção da maioria das fábricas instaladas no país, indicando uma oportunidade de maior geração de empregos locais.
Segmento de pesados mostra recuperação
O mercado de caminhões registrou seu melhor mês no ano, com 11,7 mil emplacamentos, impulsionado pelo programa federal "Move Brasil". O acumulado do ano ainda apresenta recuo de 7,2% em relação a 2025, mas a diferença já foi superior a 30% no início de 2026.
Já os ônibus têm o pior desempenho, com queda de 10,7% no acumulado, somando 12,5 mil unidades. Dificuldades na execução do programa "Caminhos da Escola" são apontadas como o principal motivo. O setor aposta na feira "Lat.Bus" para estimular novos negócios.
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