A Tesla avança globalmente com seu sistema de assistência avançada ao motorista, o Full Self-Driving (FSD) Supervisionado, transformando-o em uma fonte de receita por meio de assinaturas. No entanto, é crucial entender que a tecnologia atual não é 100% autônoma: ela exige que o condutor mantenha as mãos no volante e a atenção na via, pronto para intervir a qualquer momento. Mesmo essa versão supervisionada enfrenta uma série de barreiras para chegar ao Brasil.
A possibilidade de usar o sistema no país esbarra, primeiro, na legislação. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) foi concebido com uma premissa clara: um condutor humano é sempre o responsável legal pelo controle do veículo. Não existe, atualmente, um amparo para sistemas que, mesmo assistidos, tomam decisões complexas de direção.
Legislação é barreira até para sistemas assistidos
O FSD Supervisionado da Tesla é classificado como um sistema de Nível 2 de autonomia (SAE), que automatiza direção e aceleração/frenagem, mas requer supervisão humana total. A discussão sobre carros de nível 4 ou 5 (altamente ou totalmente autônomos) exigiria uma reforma completa das leis, mas o desafio no Brasil começa antes: como homologar um sistema de Nível 2 tão avançado?
Hoje, o que se permite no país são tecnologias de assistência ao motorista, como o Autopilot básico da própria Tesla. O FSD, por sua capacidade de navegar em ruas da cidade, parar em semáforos e fazer curvas sozinho (sempre sob supervisão), levanta questões de responsabilidade em caso de acidentes que a regulamentação atual não cobre, tornando sua homologação inviável sem uma atualização das normas.
Nossas ruas são um teste de estresse
Mesmo que a questão legal fosse resolvida, a infraestrutura brasileira se impõe como um desafio monumental. O FSD é treinado em ruas e estradas bem sinalizadas e com asfalto de boa qualidade. A realidade no Brasil é outra, marcada por buracos, sinalização precária ou inexistente, faixas que desaparecem subitamente e quebra-molas sem aviso.
Esse cenário caótico representa um teste extremo para a inteligência artificial do sistema, que opera com base em câmeras e processamento local, sem depender de conectividade externa. A IA precisaria de um nível de adaptação muito superior para interpretar com segurança as condições adversas e o comportamento muitas vezes imprevisível de outros motoristas, pedestres e animais na via.
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