Pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros zero quilômetro vendidos no Brasil registrou queda. Impulsionada principalmente pela ofensiva das montadoras chinesas, a redução marca uma mudança de cenário no mercado automotivo nacional, que vinha acumulando sucessivos aumentos desde 2020.
Levantamento da Bright Consulting mostra que o preço público médio deflacionado dos veículos leves caiu de R$ 172,5 mil em 2025 para R$ 170 mil em junho de 2026, uma redução real de 1,5%. Na prática, o valor efetivamente pago pelos consumidores nas concessionárias caiu ainda mais, passando de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil, recuo de 3,5%.
Segundo a consultoria, o principal fator por trás desse movimento é o aumento da concorrência promovido pelas fabricantes chinesas. Marcas como BYD, GWM, Omoda & Jaecoo e GAC ampliaram sua participação no mercado brasileiro oferecendo modelos com mais tecnologia e preços agressivos, obrigando as montadoras tradicionais a reagirem com descontos, bônus e campanhas promocionais.
A disputa ficou evidente ao longo de 2026. Diversos SUVs eletrificados tiveram reduções expressivas de preço, algumas superiores a R$ 50 mil, em uma estratégia para ampliar participação de mercado e acelerar as vendas.
Outro reflexo da competição é a diferença crescente entre o preço de tabela e o valor negociado nas concessionárias. Com estoques elevados e maior oferta de veículos, as marcas passaram a conceder descontos maiores para fechar negócio, reduzindo o preço médio efetivamente pago pelos consumidores.
Apesar da queda, comprar um carro novo ainda exige um investimento elevado. O preço médio pago nas lojas permanece acima de R$ 150 mil, valor bastante superior ao observado antes da pandemia. Ainda assim, o novo cenário indica que a concorrência, especialmente das fabricantes chinesas, começa a beneficiar o consumidor brasileiro com preços mais competitivos e uma oferta cada vez maior de modelos eletrificados.
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