Uma nova guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, já afeta diretamente a economia global e o seu bolso. A operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Em retaliação, o Irã lançou mísseis contra alvos israelenses e bases americanas na região, escalando a tensão a um nível não visto desde o conflito de 12 dias em junho de 2025.
De acordo com a organização humanitária Crescente Vermelho, o conflito já tem 555 mortos e, ao menos, 747 feridos.
A reação dos mercados foi imediata. O preço do barril de petróleo disparou com o início dos ataques, refletindo o temor de uma interrupção no fornecimento em uma das regiões mais importantes para a produção mundial. Mas como um conflito a milhares de quilômetros de distância impacta o preço da gasolina, do etanol e do diesel no Brasil? A resposta está em uma cadeia de fatores interligados.
Como a guerra afeta o preço na prática
Para entender o impacto, é preciso analisar quatro pontos principais que conectam a geopolítica do Oriente Médio com os postos de combustíveis brasileiros:
1. Preço do barril de petróleo
O Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. A guerra afeta diretamente sua capacidade de produção e exportação, reduzindo a oferta global. Com menos petróleo disponível e a mesma demanda, a cotação internacional do barril (medida em Brent) sobe. Desde o dia 28 de fevereiro, os mercados já registram forte volatilidade e tendência de alta.
2. Risco na logística e transporte
Grande parte do petróleo mundial, incluindo o iraniano, passa pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica. O conflito aumenta o risco para os navios petroleiros que transitam pela área, elevando os custos de seguro e frete. Qualquer bloqueio ou ataque na região pode interromper o fluxo e fazer os preços dispararem, afetando grandes importadores como a China.
3. A alta do dólar
Em momentos de crise e instabilidade global, investidores procuram segurança em ativos considerados mais estáveis, como o dólar. Essa fuga de capitais de mercados emergentes, como o Brasil, para a moeda americana, causa sua valorização. Como o petróleo é cotado em dólar, um dólar mais caro significa que o Brasil precisa pagar mais reais pela mesma quantidade de petróleo importado, o que encarece os combustíveis internamente.
4. Política de preços da Petrobras
A Petrobras, principal fornecedora de combustíveis do país, adota uma política de preços que acompanha as cotações internacionais do petróleo e a variação do dólar. Portanto, a alta nesses dois indicadores pressiona a estatal a reajustar os preços da gasolina e do diesel vendidos em suas refinarias, repassando o aumento para toda a cadeia de distribuição até chegar às bombas.
O cenário atual é de incerteza, mas os efeitos já são sentidos. A duração e a intensidade do conflito serão decisivas para determinar a magnitude do impacto nos preços dos combustíveis no Brasil nos próximos meses.
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