A Stellantis encerrou 2025 com prejuízo líquido de 22,3 bilhões de euros, cerca de R$ 135 bilhões, resultado impactado por uma baixa extraordinária de 25,4 bilhões de euros ligada à reformulação de sua estratégia de produtos. O rombo reflete, segundo a própria companhia, uma leitura equivocada sobre a velocidade da eletrificação no mercado global.
O CEO Antonio Filosa afirmou que os números “refletem o custo de termos sobrestimado o ritmo da transição energética” e destacou a necessidade de “reestruturar o nosso negócio”, colocando como prioridade a “liberdade dos nossos clientes de escolherem entre tecnologias elétricas, híbridas e de combustão interna”. A declaração marca um recuo claro em relação ao plano anterior, mais agressivo na eletrificação.
Do total de ajustes, 9 bilhões de euros foram destinados ao cancelamento ou redirecionamento de programas de desenvolvimento, sendo 8,6 bilhões concentrados na Europa e nos Estados Unidos. A empresa também desembolsou mais de 1 bilhão de euros para encerrar o programa de célula de combustível a hidrogênio na Europa.
Apesar do prejuízo histórico, a Stellantis registrou alta de 11% nas vendas no segundo semestre, somando 2,8 milhões de veículos entregues no período. Filosa afirmou que a companhia já observa “os primeiros sinais positivos de progresso”, citando “forte execução dos lançamentos” e “retorno ao crescimento da receita”. Segundo ele, em 2026 o foco será “sanar as lacunas de execução do passado” e “impulsionar ainda mais o retorno ao crescimento lucrativo”.
O fluxo de caixa no segundo semestre ficou 1,5 bilhão de euros abaixo do esperado, mas ainda assim representou melhora de 50% frente ao primeiro semestre e avanço de 73% na comparação anual, sinalizando uma tentativa de estabilização após o impacto bilionário da reestruturação.
No Brasil, a transição energética é mais tímida e os principais representantes são os modelos equipados com motor híbrido leve, que estreou na dupla da Fiat, Pulse e Fastback, conjunto que já é aplicado em modelos da Peugeot, e na recém-chegada Leapmotor, que acaba de lançar o seu “Ultra-Híbrido” REEV C-10, onde o motor a combustão serve somente como gerador de energia para a bateria do carro, e o B-10, que é totalmente elétrico.
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