AUTO AMIGO

Vendas de carros foram fracas no semestre. E você paga o pato

Comparando os números dos seis primeiros meses de 2021 com este ano, houve queda de quase 16% na comercialização de veículos novos

Publicidade
Linha de montagem do VW T-Cross São José dos Pinhais (PR)
Apesar da queda no volume de licenciamentos, as montadoras continuam vendendo tudo o que produzem, com margem de lucro maior Pedro Danthas/Volkswagen

Com apenas 848.890 unidades licenciadas no semestre, o mercado de automóveis e comerciais leves amarga uma queda de 15,7%. Para você ter uma ideia de como os números estão decadentes, o crescimento em relação ao primeiro semestre de 2020, quando a produção ficou paralisada por causa da pandemia, é de apenas 11%. As vendas de carros caem, mas as montadoras continuam lucrando.

Confira o vídeo do teste da Renault Oroch 1.3 turbo na versão Outsider

Veja os números. Com pouco mais de três meses de produção, as vendas de carros no primeiro semestre de 2020 chegaram a 763,3 mil unidades. Neste ano, foram 848,8 mil. Em comparação com o primeiro semestre do ano passado, houve queda de 15,7% e junho teve apenas 166,2 mil unidades licenciadas.

Ora, mas o consumidor não tem nada com o problema das montadoras, se as vendas de carros caíram e elas estão perdendo dinheiro, certo? Errado. Primeiro, porque as montadoras não estão perdendo dinheiro, ao contrário: tudo o que está sendo produzido é vendido na hora. Segundo, porque, com falta de produto no mercado, os preços subiram: a produção diminuiu, mas a margem de lucro cresceu.

O resultado dessa equação das vendas de carros é o avanço no bolso do consumidor. Não falo do comprador de carro zero – esse 0,8% da população (só 1,7 milhão, dos 214,8 milhões de brasileiros vão comprar carro zero este ano) –, mas do comprador de carro usado, que está sofrendo com os aumentos desenfreados dos preços, como já vimos aqui.

Fiat lidera as vendas de carros no mercado brasileiro

A Fiat fechou o semestre com uma liderança incontestável: vendeu 187.251 carros e ficou com 21,9% de participação, bem distante do segundo colocado, a Chevrolet, com 13,5% (115.912 unidades vendidas). A Volkswagen, em terceiro, vendeu 97.415 carros e ficou com 11,4%, seguida da Toyota (10,6% e 90.638 unidades) e Hyundai (10,6% e 90.385).

As posições no ranking não tiveram muita alteração em relação ao ano passado, com exceção da Peugeot, que entrou na lista das 10 marcas mais vendidas. Já a Ford despencou para o 15º lugar, ficando atrás até da Mitsubishi.

De olho no modelo 2023 na hora de comprar

Entramos na segunda metade do ano e grande parte dos carros vendidos no mercado interno já é linha 2023. A legislação permite o lançamento da linha do ano seguinte em qualquer momento do ano e as montadoras abusam. Algumas já em janeiro registram o 2023 no documento. Essa prática valoriza o comprador da linha “nova”, mas prejudica quem acabou de comprar a versão anterior.

A dica para você que vai comprar é optar pela linha 2023, porque o que vale, para efeito de cotação de preço, é o ano/modelo e não o ano de fabricação. Assim, daqui dois, três, quatro anos, na hora da revenda, o 2023 vai valer mais do que o 2022, mesmo que ambos (o modelo 2022 e o 2023) tenham sido produzidos no mesmo dia.

Em alguns casos, em época de mudança de linha, a concessionária poderá ter em estoque ambas as versões. Fique esperto: se o vendedor oferecer o 2022, exija um bom desconto, caso contrário, fique com o 2023. A única vantagem do 2022 é que o IPVA é mais barato.