x
UAI
surpreendente

Teste drive: Honda Prelude surpreende em Interlagos com dupla personalidade

Cupê híbrido de R$ 380 mil combina conforto para o dia a dia com comportamento esportivo e um câmbio CVT que muda completamente sua condução

Publicidade
Honda Prelude 2027 tem motor híbrido do Civic
Honda Prelude 2027 tem motor híbrido do Civic Foto: Divulgação/Honda

Durante o Festival Interlagos, tive a oportunidade de dar algumas voltas no Autódromo de Interlagos ao volante do novo Honda Prelude, que acaba de chegar ao Brasil com preço inicial de R$ 380 mil. E, embora o modelo tenha uma proposta esportiva, a primeira impressão é de um carro bastante civilizado.

O Prelude combina um motor 2.0 aspirado de quatro cilindros, com injeção direta, a dois motores elétricos. Ao todo, são 203 cv e 32,1 kgfm de torque, enviados por um câmbio CVT com o sistema Honda S+ Shift, capaz de simular trocas de marchas. A receita ainda inclui componentes de suspensão e freios derivados do Civic Type R.

Honda Prelude 2027 vermelho
Traseira do Honda Prelude 2027 vermelho Foto: Divulgação/Honda

Logo nas primeiras curvas de Interlagos, o que mais chama atenção é o acerto dinâmico. O banco, com abas laterais bem pronunciadas, mantém o corpo firme e passa a sensação de estar abraçando o motorista. O volante também tem uma boa pegada e facilita bastante o uso dos paddle shifts.

Na pista, o Prelude mostra um comportamento bastante equilibrado. O carro aponta com precisão para as curvas e transmite muita confiança tanto na entrada quanto na saída. No Bico de Pato e no mergulho para a Junção, por exemplo, a estabilidade impressiona. Mesmo sem ter dirigido um Civic Type R para fazer uma comparação direta, fica evidente que há uma preocupação grande da Honda em entregar um carro com bastante aderência e controle.

Motor 2.0 aspirado do Honda Prelude é o mesmo do Civic híbrido
Motor 2.0 aspirado do Honda Prelude é o mesmo do Civic híbrido Foto: Eduardo Lucizano/Vrum

O conjunto mecânico também entrega força de maneira linear e previsível. A questão é que, no modo convencional, o Prelude pode parecer até comportado demais para quem espera um esportivo. Depois de uma primeira volta, a sensação era de que faltava um pouco daquela emoção que se espera de um carro desse tipo.

Foi então que o instrutor colocou o carro no modo Sport e ativou o máximo que o sistema Honda S+ Shift oferece. E aí o Prelude muda completamente de personalidade.

Nesse modo, as trocas podem ser feitas pelos paddle shifts e o conjunto fica muito mais responsivo. O mais impressionante, porém, é o trabalho feito pela Honda no CVT. Em vez da sensação tradicional de um câmbio continuamente variável, o sistema simula as marchas de maneira bastante convincente. Nas reduções, a resposta é praticamente instantânea, o giro sobe e o motor entrega justamente aquela sensação mais visceral que faltava no modo convencional.

Interior do Honda Prelude não esconde parentesco com o Civic
Interior do Honda Prelude não esconde parentesco com o Civic Foto: Eduardo Lucizano/Vrum

Nas acelerações, a simulação das marchas também funciona bem. O carro vai escalonando as relações na reta e cria uma experiência muito mais próxima de um automático convencional. É um recurso que, na prática, transforma completamente a experiência ao volante.

E talvez essa seja a principal qualidade do Prelude. No modo normal, ele funciona tranquilamente como um carro para o uso cotidiano, confortável e fácil de dirigir. Mas basta selecionar o modo esportivo para encontrar uma segunda personalidade, capaz de entregar diversão de verdade em uma estrada sinuosa ou em uma pista como Interlagos.

Até o consumo surpreendeu. Mesmo depois de diversas voltas no autódromo, com o carro sendo exigido por diferentes motoristas, o computador de bordo marcava 8,6 km/l. Para um esportivo híbrido que acabara de passar por uma sequência de voltas fortes em Interlagos, é um número bastante interessante.

No fim, o Prelude consegue fazer algo que poucos esportivos se propõem a fazer tão bem: ser confortável e civilizado quando necessário, mas entregar uma boa dose de diversão quando o motorista decide explorar o que ele tem a oferecer.