A ideia de ter um carro blindado traz uma sensação de segurança, mas também é cercada de dúvidas e informações desencontradas. Desde vidros que não abrem até pneus que resistem a tudo, a realidade da blindagem automotiva é bem diferente do que se vê nos filmes e pode confundir quem busca proteção no trânsito.
O processo de blindagem evoluiu muito, tornando-se mais leve e acessível, mas ainda existem conceitos equivocados que persistem. Entender o que é fato e o que é ficção é fundamental para fazer uma escolha consciente e garantir que o investimento cumpra seu principal objetivo: proteger vidas.
Para ajudar a esclarecer, separamos os cinco principais mitos e verdades sobre o assunto.
1. Os vidros de um carro blindado não abrem
Mito. Os vidros dianteiros abrem, mas apenas parcialmente. Por questões de segurança e para preservar a estrutura da porta, a maioria das blindadoras limita a abertura a poucos centímetros, normalmente entre 8 e 15 cm. É o suficiente para pagar um pedágio ou se identificar em uma guarita. A abertura total é um recurso raro e mais caro, disponível para poucos modelos, pois exige um projeto estrutural mais complexo para manter o nível de proteção balística.
2. O pneu blindado é à prova de balas
Mito. Os pneus não são à prova de balas. Em vez disso, o veículo conta com um sistema que permite continuar rodando mesmo após a perda de pressão. Dependendo do projeto da blindagem, ele pode utilizar uma cinta metálica instalada na roda ou pneus do tipo run-flat, com estrutura reforçada para suportar o peso do veículo mesmo após um furo ou perfuração. Se o pneu for perfurado por um tiro, essa cinta permite que o veículo continue rodando por dezenas de quilômetros a uma velocidade reduzida, geralmente até 50 km/h. O objetivo é garantir a fuga de uma situação de perigo, não oferecer proteção absoluta ao pneu.
3. Qualquer carro pode ser blindado
Verdade, mas com ressalvas. Tecnicamente, quase qualquer veículo pode receber a proteção, mas não é recomendado para todos. A blindagem mais comum (nível III-A) adiciona entre 150 e 350 quilos ao veículo, dependendo do seu tamanho e dos materiais utilizados. Carros com motores de baixa potência, como os 1.0, sofrem com a perda de desempenho, aumento do consumo e desgaste acelerado de componentes importantes como freios e suspensão. Vale ressaltar que a blindagem automotiva para uso civil deve seguir critérios técnicos e de certificação que garantam proteção uniforme ao habitáculo do veículo.
4. A blindagem dura para sempre
Mito. Os materiais balísticos têm prazo de validade. Os vidros, compostos por várias camadas de vidro e polímeros, podem sofrer delaminação com o tempo, que é o descolamento dessas camadas, causando bolhas e distorções visuais. A garantia dos vidros costuma variar entre cinco e dez anos, dependendo do fabricante e das condições de uso. A manta de aramida, usada na carroceria, também perde suas propriedades de proteção com o passar dos anos, sendo recomendada uma verificação periódica da blindagem.
5. A blindagem torna o carro 100% seguro
Mito. A blindagem oferece proteção, não invencibilidade. O nível mais comum para uso civil no Brasil, o III-A, protege contra disparos de armas de mão, como pistolas e submetralhadoras. Calibres de fuzis, por exemplo, exigem níveis superiores, geralmente restritos ao uso militar ou de autoridades. A blindagem é um recurso para possibilitar a evasão de uma zona de risco, não para transformar o carro em um tanque de guerra.
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