Bom, o WR-V está de volta ao Brasil depois de alguns anos de hiato. E essa nova geração representa uma evolução enorme em relação ao modelo anterior. Ele cresceu, ficou mais equipado, mais bonito e chega muito melhor posicionado no mercado.
A versão EXL avaliada parte de R$ 154 mil e fica posicionada entre o City e o HR-V. Entre os principais rivais estão Volkswagen T-Cross, Renault Kardian, Fiat Pulse e o recém-lançado Toyota Yaris Cross, em uma das categorias mais disputadas do mercado brasileiro.
Um verdadeiro glow up
E se comparado ao antigo WR-V, dá para dizer que ele passou por um verdadeiro glow up. O design mudou completamente. Agora ele tem uma presença bem mais robusta, com faróis totalmente em LED, rodas de 17 polegadas e rack de teto. O destaque fica para a cor Azul Aurora, que dependendo da iluminação parece mais azul ou até levemente esverdeada. Particularmente, achei uma das cores mais bonitas disponíveis para o modelo.
No geral, ele tem um visual mais parrudo, mas ao mesmo tempo simpático. Essa nova identidade transmite uma sensação maior de robustez e combina muito bem com a proposta de SUV familiar.
Espaço é um dos destaques
Por dentro, o acabamento é composto principalmente por plástico rígido, com apoios de braço revestidos em couro. Nada muito diferente do que encontramos no segmento e, considerando o pacote de equipamentos oferecido, não chega a ser um problema. Os bancos em couro têm ótimo acabamento e passam uma boa sensação de qualidade.
Um dos grandes destaques é o espaço interno. Principalmente para quem vai atrás. Três adultos conseguem viajar com bastante conforto graças ao túnel central pouco elevado. Há ainda saídas de ar-condicionado para a segunda fileira e uma tomada de 12V, que poderia ser substituída por entradas USB convencionais ou USB-C. Além disso, ele conta com um belo porta-malas de 458 litros.
Por outro lado, o WR-V abandonou o tradicional Magic Seat, presente em outros modelos da Honda. Era um recurso muito interessante, que permitia rebater e elevar os bancos traseiros para ampliar a capacidade de transporte de objetos maiores.
Na frente, os bancos possuem apenas ajustes manuais, enquanto o volante revestido em couro conta com paddle shifts. Um detalhe que poderia ser mais moderno é o freio de estacionamento, que continua sendo manual.
Multimídia melhor que a do HR-V?
A central multimídia de 10 polegadas merece elogios. Ela oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de ótima resolução e excelente fluidez. Inclusive, me parece mais moderna e agradável de usar do que a própria central do HR-V.
O painel de instrumentos é parcialmente digital, com tela de sete polegadas e velocímetro analógico. Eu particularmente gosto dessa combinação entre o digital e o analógico. Mesmo sendo uma solução mais simples, ela funciona muito bem.
O pacote de equipamentos é complementado pelo Honda Sensing, que reúne recursos como frenagem autônoma de emergência, piloto automático adaptativo e assistente de permanência em faixa. E todos eles funcionam muito bem.
O conhecido 1.5 aspirado
Debaixo do capô, temos o conhecido motor 1.5 aspirado da Honda, entregando 126 cv tanto com etanol quanto com gasolina. O torque é de 15,8 kgfm com etanol e 15,5 kgfm com gasolina, sempre associado ao câmbio automático CVT.
Não é uma motorização com proposta esportiva, mas considerando o tamanho e a proposta do carro, ela atende muito bem. Durante os testes, abastecido com gasolina, consegui médias próximas de 11 km/l na cidade e até 17 km/l na estrada, mesmo realizando algumas ultrapassagens.
Acerto de suspensão merece elogios
A suspensão também merece destaque. Ela é firme na medida certa, sem ser excessivamente dura ou macia demais. O conjunto absorve bem as irregularidades do asfalto brasileiro e transmite bastante confiança ao motorista. Na dianteira temos suspensão McPherson e, na traseira, eixo de torção.
O prazer ao dirigir típico da Honda
E talvez seja justamente na condução que o WR-V mais impressiona. É difícil explicar, mas os carros da Honda têm uma sensação muito particular ao volante. Desde os primeiros metros, o carro transmite confiança. Tudo parece estar na medida certa. Direção, suspensão, ergonomia e posição de dirigir. É um carro gostoso de conduzir e que passa uma sensação de controle difícil de encontrar em alguns concorrentes.
Mesmo sem uma potência exuberante, ele faz curvas com segurança, controla bem os movimentos da carroceria e entrega aquela característica típica dos Honda: o prazer ao dirigir.
Para quem busca um SUV familiar, confortável e econômico, o WR-V faz muito sentido. Há espaço de sobra para cinco ocupantes, ótimo consumo e um nível de conforto que convida a enfrentar longas viagens.
Honda Sensing é um dos melhores da categoria
E falando em conforto, o pacote Honda Sensing merece destaque. O piloto automático adaptativo e o sistema de centralização em faixa estão entre os melhores que já testei. O carro mantém a trajetória com suavidade e transmite muita segurança. Em alguns momentos, basta manter as mãos no volante e deixar que ele faça praticamente todo o trabalho.
Claro que nas retomadas mais fortes o CVT faz o motor trabalhar em rotações elevadas e aquele efeito de "berro" aparece. Mas isso faz parte da proposta. O WR-V não quer ser esportivo. Ele quer ser eficiente, confortável e econômico.
Vale os R$ 154 mil?
E sinceramente, acredito que ele tem tudo para conquistar seu espaço no mercado brasileiro. Principalmente diante do Toyota Yaris Cross, que chegou mais caro e, mesmo com a opção híbrida, entrega menos potência e o brasileiro gosta de carro barato e de cavalaria.
No fim das contas, os R$ 154 mil cobrados pelo WR-V EXL representam aquele famoso preço para quem não quer dor de cabeça. Você leva a confiabilidade da Honda, um conjunto mecânico já conhecido, excelente valor de revenda e um SUV extremamente equilibrado.
Pode até não ser o mais emocionante da categoria. Mas talvez seja justamente aí que esteja o seu maior trunfo.
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