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Voyage do Gol Bolinha? Protótipo chegou a ser apresentado à Volkswagen

Nem todos se recordam, mas o Voyage ficou fora de linha por 13 anos, voltando apenas em 2008 com a terceira geração do Gol. Confira os bastidores da substituição do Voyage pelo Polo Classic

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Prototipo do Volkswagen Voyage baseado no Gol Bolinha de segunda geração.
Prototipo do Voyage baseado no Gol Bolinha, de segunda geração, chegou a ser apresentado `Volkswagen Reprodução

Desta vez, Luiz Alberto Veiga nos brindou com a proposta feita à Volkswagen do que seria o Voyage do Gol Bolinha (a segunda geração do compacto). Veiga é ex-designer da marca alemã, e vem agraciando o universo automotivo com pérolas que nunca chegaram ao mercado, como a picape Santana e reestilizações da Kombi.

O profissional explica que a imagem foi feita durante a apresentação do Gol Bolinha em Wolfsburg, sede da Volkswagen na Alemanha. O Voyage duas portas era um modelo de proporção, mas não foi aprovado pelos mandachuvas da marca.

“Mais tarde fizemos outra tentativa de emplacar um Voyage, mas, depois de muita luta e decepções, por ciúmes e demonstrações políticas, o board acabou aprovando o Polo Classic, ainda por cima, montado na Argentina”, escreveu Luiz Alberto Veiga em sua publicação no Instagram.

Para quem não lembra, o Gol Bolinha (segunda geração do modelo) é de 1995. A segunda geração do Voyage só foi lançada em 2008, junto com o Gol G5, considerada a terceira geração do compacto. Logo, o sedan ficou fora de linha por 13 anos.

Voyage foi apresentado junto com o Gol Bolinha, apelido dado à segunda geração do hatch compacto. Protótipo está no centro da foto, ao lado da primeira geração.
Gol Bolinha foi apresentado em Wolfsburg ao lado do hatch clássico, o “quadrado”

Polo Classic é questionado pelo “time” do Voyage do Gol Bolinha

E a “espetada” que o ex-designer da Volkswagen deu no Polo Classic rendeu entre seus seguidores. “O Polo Classic parecia um alienígena dentro da linha VW da época”, comento Tchelo Oliveira. O seguidor teve o privilégio de ganhar uma resposta de Veiga: “Era mesmo. Foi enfiado goela abaixo pelo Lopes Arriotour, chefe de compras e Chairman da VWAG”.

Volkswagen Polo Classic vermelho.
Volkswagen Polo Classic

O Polo Classic teve origem no Seat Cordoba, e não tinha muita relação com o Polo hatch. O modelo começou a ser vendido no Brasil no final de 1996, vindo da Argentina. O Voyage saiu de linha em 1995. Porém, ainda que em minoria, alguns seguidores de Veiga defenderam o Polo Classic.

“Eu gostava muito do desenho do Polo Classic, mas o que atrapalhava era vir da Argentina com peças caras e difíceis de encontrar. Dessa vez eu ficaria com o Polo, projeto mais moderno!”, comentou Sérgio Fontenelle.

VW Logus e Autolatina entram na discussão

Volkswagen Logus GLS azul.
Volkswagen Logus GLS (Foto: Arquivo EM/D.A Press)

Já o seguidor Leonardo Freitas fez um comentário que amplia essa discussão: “O Voyage me lembrou muito o Logus, a meu ver, um carro válido até hoje e injustiçado”. O Volkswagen Logus, sedan que leva a assinatura de Luiz Alberto Veiga, era um projeto baseado na segunda geração brasileira do Ford Escort. Porém, ele foi anterior à saída do Voyage e chegada do Polo Classic.

Existe um entendimento de que, quando o Polo Classic foi escolhido, a Volkswagen já estava se desvencilhando da Autolatina, parceria firmada com a Ford entre 1987 e 1996. Por este motivo, projetos como o Logus e o VW Pointer não foram levados adiante. Nessa linha, optando pelo Polo Classic, a Volkswagen estaria interessada em participar de um segmento superior ao do Voyage, uma espécie de sedans compactos premium, que era justamente a linha do Logus.

Para entender se essa aposta da Volkswagen deu certo ou não, é necessário uma reflexão maior. Na opinião do perfil @oslucios.official, a estratégia da marca alemã tirar o Voyage de linha foi um equívoco: “Foi nesse momento que a VW do Brasil começou a perder mercado, pois boa parte desse público migrou pra Corsa Sedan, Siena e até aquele Fiesta Sedan (indiano, salvo engano)…. o segmento de pequenos sedãs era muito popular na segunda metade dos anos 90 e a VW ficou de fora”.