x
UAI
acabou a festa?

União Europeia define teto inédito para limitar carros chineses

Bloco quer reduzir importações em 50% para socorrer montadoras locais, mas marcas da China já preparam fábricas dentro do continente europeu

Publicidade
Dolphin Mini é o principal carro da BYD no Brasil em volume de vendas
Dolphin Mini é o principal carro da BYD no Brasil em volume de vendas Foto: Divulgação

A União Europeia negocia um acordo amigável para conter a entrada de carros híbridos importados da China. O plano pretende reduzir em mais de 50% esse volume nos próximos quatro anos. A iniciativa responde à mudança de foco das montadoras chinesas, que ampliaram o envio de híbridos após sofrerem pesadas sobretaxas nos modelos 100% elétricos.

Bruxelas tenta estancar a crise das marcas locais e proteger a infraestrutura industrial europeia. A expectativa do bloco aponta para uma redução do déficit comercial com o governo chinês estimada entre 10 bilhões e 14 bilhões de euros.

Regras e cotas negociadas para a importação

Relatórios apurados por "Bloomberg" e "Financial Times" mostram regras severas para os próximos meses, embora o texto final dependa de ratificação oficial:

  • o limite negociado para o próximo ano deve oscilar entre 500.000 e 700.000 unidades;

  • a cota de importação será fixada em 350.000 veículos híbridos em 2027;

  • o modelo permitirá crescimento de 6% ao ano nas etapas subsequentes.

As metas exigem redução frente ao ritmo atual. O mercado calcula que até 800.000 híbridos chineses desembarcaram na Europa ao longo deste ano.

Avanço nas vendas e pressão sobre marcas europeias

Estatísticas do setor automotivo confirmam a velocidade das fabricantes chinesas. No primeiro semestre deste ano, os híbridos plug-in produzidos no país asiático responderam por 25% de todas as vendas da categoria na Europa, superando a taxa de 2% registrada em 2024.

O índice dos híbridos convencionais também subiu de 2% para 14%. No Salão do Automóvel de Paris de 2026, um terço das fabricantes em exposição tem origem chinesa.

A competitividade desses veículos gerou forte impacto nas marcas tradicionais do continente. Símbolo dessa transição, a Volkswagen planeja reestruturar as operações no médio prazo para buscar recuperação financeira.

Produção local contorna restrições

Fabricantes da Ásia articulam planos para contornar a nova regulamentação. Como as cotas se aplicam unicamente a veículos montados e exportados diretamente do território chinês, a abertura de fábricas na Europa neutraliza o bloqueio:

  • BYD já ergueu uma unidade na Hungria;

  • Chery, Geely e Dongfeng avançam com estruturas fabris próprias;

  • Leapmotor utiliza parceria com a Stellantis para produzir veículos no continente europeu.

Os modelos montados dentro das fronteiras da União Europeia entram nas contas como produtos locais, o que permite superar as limitações do teto de importação.

• Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!