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Depreciação de carros: valor real é até 20x menor que o da tabela

Levantamento mostra queda média de 10,2% no preço de usados em 12 meses; entenda como o tempo de estoque gera prejuízos de R$ 900 por semana

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Para ter um carro novo na garagem é preciso escolher entre assinar ou comprar
Para ter um carro novo na garagem é preciso escolher entre assinar ou comprar Foto: Internet / Reprodução

A depreciação real de um carro no mercado brasileiro pode ser significativamente maior do que os valores sugeridos pelas tabelas de referência. Um levantamento apresentado ao setor automotivo revelou que a variação do preço de mercado de um veículo pode ser muito diferente da indicada nas tabelas, criando uma defasagem que representa riscos financeiros.

Essa análise foi apresentada em um debate sobre o setor por J. R. Caporal, CEO da Mega Dealer, e Bruno Leite Ferreira, diretor da Auto Avaliar. Segundo os especialistas, essa defasagem entre o preço de mercado e o de referência pode gerar perdas financeiras significativas, especialmente para locadoras e empresas com grandes frotas.

Veículo parado gera prejuízo semanal

Um dos pontos de alerta é o chamado risco de capital. Ele combina a pressão sobre os preços causada por novos lançamentos, os descontos em modelos zero quilômetro e o tempo que um carro usado leva para ser vendido. Manter um veículo parado no pátio custa caro.

Um exemplo prático ilustra que a combinação de desvalorização e custo financeiro pode consumir milhares de reais do valor de um carro em apenas 30 dias. O prejuízo pode ser equivalente a centenas de reais por semana que o veículo permanece sem ser vendido.

Para mitigar essas perdas, a recomendação é adotar quatro medidas principais. As empresas devem comprar veículos de forma criteriosa, monitorar a desvalorização continuamente, priorizar o giro rápido do estoque em vez da margem de lucro de uma única venda e, por fim, reiniciar o ciclo com ativos mais estratégicos.

Reforma tributária também impacta o setor

Outro desafio discutido no setor é o impacto da reforma tributária no fluxo de caixa das locadoras. Com o novo sistema de split payment, cuja implementação avança gradualmente, o imposto será recolhido de forma automática no momento da transação, e não mais apurado e pago posteriormente pela empresa.

Essa mudança exige que a separação entre o preço do veículo e a carga tributária seja mais clara. O impacto pode ser maior para empresas com menor capital de giro e para aquelas que compraram frotas no regime antigo, mas farão a revenda já sob as novas regras.

O setor de locação de veículos é um dos mais atentos a essas variações. De acordo com dados referenciais do Sindloc SP (Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo), o segmento no estado conta com milhares de locadoras associadas e uma frota circulante de aproximadamente um milhão de veículos, avaliada em mais de R$ 100 bilhões.

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