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Parece de mentira!

Vantablack: por que esse é o preto mais escuro do mundo?

Material absorve praticamente toda a luz que recebe, mas sua aplicação em carros ainda enfrenta algumas limitações

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BMW X6 Vantablack
BMW X6 Vantablack Foto: BMW/Divulgação

O Vantablack ficou famoso por transformar superfícies em algo que parece uma espécie de buraco negro, apagando praticamente todos os detalhes percebidos pelo olho humano. Desenvolvido pela empresa britânica Surrey NanoSystems, o material original consegue absorver até 99,965% da luz incidente, graças a uma estrutura formada por nanotubos de carbono alinhados verticalmente. 

A tecnologia surgiu inicialmente para aplicações científicas e espaciais, especialmente em equipamentos ópticos que precisam evitar reflexos e interferências luminosas. A estrutura funciona como uma espécie de floresta microscópica: quando a luz entra entre os nanotubos, ela sofre múltiplas reflexões internas e acaba sendo absorvida, em vez de retornar aos olhos como acontece em uma pintura preta convencional. 

BMW X6 Vantablack
BMW X6 Vantablack Foto: BMW/Divulgação

O curioso é que o Vantablack não é exatamente uma tinta preta comum, nem existe como uma opção de pintura automotiva convencional. Para o setor automotivo, a Surrey NanoSystems desenvolveu versões aplicáveis por pulverização, como a VBx2, que refletem cerca de 1% da luz e preservam uma pequena percepção das formas, justamente para que a carroceria não pareça completamente bidimensional. 

Foi justamente essa tecnologia que ganhou destaque no BMW X6 apresentado em 2019. O SUV foi o primeiro e, segundo a BMW, o único veículo a receber um acabamento Vantablack VBx2, criado em parceria com a Surrey NanoSystems, mas a marca nunca teve a intenção de oferecer o material como uma pintura convencional para os clientes. 

BMW X6 Vantablack
BMW X6 Vantablack Foto: BMW/Divulgação

Além do efeito visual impressionante, existe uma vantagem técnica importante em determinadas aplicações automotivas. O Vantablack pode ser utilizado em sensores ópticos e sistemas baseados em laser porque reduz reflexos e interferências provocadas pela luz, ajudando equipamentos de assistência à condução a obter informações mais precisas. Por isso, sua utilização na indústria automotiva é mais voltada par à tecnologia de sensores. 

Em relação ao possível calor, o Vantablack absorve uma quantidade extremamente elevada de radiação, uma superfície exposta ao Sol pode absorver mais energia do que uma pintura preta convencional, dependendo da composição e das condições de exposição. Mas, isso não significa que qualquer carro revestido com está irá atingir temperaturas elevadas, porque o aquecimento também depende da ventilação, da estrutura da peça e do ambiente.

BMW X6 Vantablack
BMW X6 Vantablack Foto: BMW/Divulgação

O maior problema para transformar o Vantablack em uma pintura automotiva de uso diário está justamente na durabilidade. A própria Surrey NanoSystems afirma que desenvolver um revestimento capaz de manter suas características superpretas enquanto suporta as exigências de um automóvel cotidiano é um grande desafio tecnológico.

Além disso, o desenvolvimento e a aplicação do material são muito diferentes de uma pintura automotiva convencional, o que ajuda a explicar por que não existe um preço de catálogo para simplesmente levar um carro a uma oficina e aplicar o Vantablack. Em vez de ser uma opção de pintura disponível no mercado, trata-se de uma tecnologia especializada, desenvolvida para aplicações específicas e projetos exclusivos, como o BMW X6.

BMW X6 Vantablack
BMW X6 Vantablack Foto: BMW/Divulgação

Mesmo sem equipar carros de produção em série, o Vantablack continua sendo uma das demonstrações mais impressionantes de como a nanotecnologia pode alterar completamente a aparência de um objeto. No automóvel, sua utilização revelou tanto o potencial estético de absorver quase toda a luz quanto as limitações práticas de transformar uma tecnologia criada para ciência e espaço em uma pintura resistente para uso diário.