A Aramco, maior petroleira do mundo, apresentou um novo motor a combustão desenvolvido especificamente para carros híbridos. Batizado de DHE (Dedicated Hybrid Engine), o propulsor de três cilindros e 1,6 litro chama a atenção por abandonar uma das peças mais tradicionais da mecânica: o cabeçote. A solução promete reduzir custos de produção e aumentar a eficiência energética.
Ao contrário dos motores convencionais, o DHE utiliza um bloco fundido em peça única, eliminando diversas etapas de usinagem e montagem. O conjunto possui apenas 175 componentes e adota soluções incomuns, como rolamentos no virabrequim e nas bielas para diminuir o atrito interno. Além disso, o motor trabalha com apenas duas válvulas por cilindro e utiliza estratégias típicas de motores de alta eficiência, como ciclo Miller/Atkinson, injeção direta e indireta e recirculação de gases de escape.
Segundo a Aramco, a eficiência térmica do conjunto fica entre 41% e 42%, números comparáveis aos dos híbridos mais avançados do mercado. O sistema foi projetado para operar em sua faixa ideal de funcionamento, enquanto os motores elétricos assumem as demandas de torque e potência em situações mais exigentes.
A transmissão também foge do padrão convencional. Em vez de um diferencial mecânico, o projeto utiliza engrenagens planetárias e dois motores-geradores posicionados nas extremidades do virabrequim. Essa arquitetura permite que o conjunto seja aplicado tanto em híbridos convencionais quanto em modelos plug-in. A empresa já prevê futuras atualizações, incluindo motores elétricos de fluxo axial e até versões capazes de utilizar hidrogênio.
Outro destaque é a modularidade. A tecnologia poderá dar origem a uma família de motores, desde um pequeno 1.1 de dois cilindros até um V6 de 3,2 litros. Como não existe cabeçote separado, motores em configuração V seriam criados pela união de dois blocos. A Aramco afirma que a solução pode reduzir em até 20% os custos em comparação com sistemas híbridos atuais, mantendo níveis semelhantes de desempenho e economia de combustível.
Por enquanto, o DHE permanece em fase de desenvolvimento, e a companhia já iniciou conversas com fabricantes interessadas em adotar a tecnologia. Caso chegue à produção em larga escala, o motor poderá representar uma nova tentativa de prolongar a vida dos motores a combustão na era da eletrificação.
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