O programa Move Brasil, que destina R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo renovarem suas frotas, não vai gerar descontos diretos na compra de carros elétricos para o consumidor comum. A medida, no entanto, pode baratear os veículos de forma indireta e acelerar a eletrificação no país nos próximos anos.
A iniciativa funciona como uma linha de financiamento com condições especiais, focada exclusivamente em profissionais que utilizam o carro como ferramenta de trabalho, com o objetivo de facilitar a troca por modelos mais sustentáveis. Com início das solicitações em 19 de junho de 2026, o programa oferece taxas de juros de 12,6% ao ano, com uma condição especial para mulheres, que terão juros de 11,6% ao ano.
O impacto para o mercado geral não será imediato, mas tende a ser positivo a médio e longo prazo. Ao incentivar um volume maior de compras de carros elétricos e híbridos por parte de uma categoria profissional, o programa ajuda a criar um efeito de escala na indústria automotiva.
Como os preços podem cair?
O aumento da demanda por parte dos motoristas de app e taxistas força as montadoras a ampliarem a produção e a nacionalizarem componentes para atender a esse novo mercado. Com mais unidades sendo fabricadas, os custos de produção por veículo tendem a diminuir, o que pode ser repassado ao consumidor final no futuro.
Além disso, a medida estimula a concorrência. As fabricantes que desejam aproveitar essa linha de crédito precisarão ofertar produtos competitivos, o que pode levar à importação ou produção de modelos elétricos e híbridos mais acessíveis no Brasil.
Outro efeito secundário importante é a expansão da infraestrutura de recarga. Com mais veículos elétricos circulando, especialmente em grandes centros urbanos, a pressão por mais eletropostos públicos e privados aumenta, beneficiando todos os proprietários de carros eletrificados.
Quais carros se enquadram no programa?
Para ser elegível ao financiamento, o veículo novo deve custar até R$ 150 mil e pertencer a uma das seguintes categorias: flex, híbridos flex, elétricos ou movidos exclusivamente a etanol. Embora o governo ainda não tenha divulgado uma lista oficial definitiva, reportagens especializadas apontam que cerca de 34 modelos já se enquadram nas regras atuais.
A expectativa do governo é que o programa impulsione a comercialização de, no mínimo, 200 mil carros, renovando a frota de trabalho e contribuindo para a descarbonização do transporte no país.
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