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Na vida real é diferente

Autonomia real x oficial: por que seu elétrico roda menos que o prometido

Os números do Inmetro são importantes, mas na prática a distância pode ser menor; entenda os fatores que mais "roubam" carga da bateria no dia a dia

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Nissan Rogue PHEV vermelho sendo carregado
Nissan Rogue PHEV vermelho sendo carregado Foto: Divulgação/Nissan

A cena é comum para donos de carros elétricos: a autonomia informada no painel parece diminuir mais rápido do que o esperado, raramente alcançando os números oficiais. Se você já se perguntou por que seu carro roda menos do que o prometido na etiqueta do Inmetro, saiba que essa diferença tem uma explicação lógica e envolve diretamente o seu modo de dirigir e as condições do percurso.

Os dados de autonomia divulgados pelo Inmetro, através do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), servem como um padrão para comparar diferentes modelos. Os testes são realizados em laboratório sob condições controladas, mas, para tornar o valor mais próximo da realidade, o Inmetro aplica fatores de correção que podem chegar a cerca de 30%, dentro de uma metodologia padronizada, para aproximar os resultados das condições reais de uso. Assim, se um carro alcança 500 km no teste, a autonomia oficial na etiqueta será de 350 km, por exemplo.

Na prática, o mundo real apresenta desafios que um ambiente controlado não consegue replicar. Diversos fatores do dia a dia atuam como verdadeiros "ladrões" de energia da bateria, impactando diretamente a distância que o veículo consegue percorrer com uma única carga.

Os principais fatores que reduzem a autonomia

Entender o que mais consome energia é o primeiro passo para otimizar o uso do seu carro elétrico. Fique atento aos seguintes pontos:

Estilo de condução: acelerações bruscas e freadas de última hora são os maiores vilões. Uma direção suave, antecipando o trânsito, permite o melhor uso da frenagem regenerativa, sistema que converte a energia da desaceleração em eletricidade para recarregar parcialmente a bateria, aumentando a autonomia.

Ar-condicionado: o sistema de climatização consome uma quantidade considerável de energia diretamente da bateria principal. Em dias muito quentes ou frios, o uso intenso do ar-condicionado ou aquecedor pode reduzir a autonomia entre 15% e 30%, dependendo da temperatura externa e da intensidade de uso.

Velocidade em estradas: diferente dos carros a combustão, os elétricos são mais eficientes na cidade. Em rodovias, a resistência do ar aumenta exponencialmente com a velocidade, exigindo muito mais do motor e drenando a bateria mais rápido. Viajar a 110 km/h em vez de 120 km/h já faz uma grande diferença.

Topografia e peso: subir ladeiras exige um esforço extra do motor. Da mesma forma, quanto mais pesado o carro estiver, com mais passageiros ou carga, maior será o consumo de energia para movimentá-lo.

Pneus: a calibragem incorreta aumenta a resistência à rolagem, forçando o motor a trabalhar mais. Manter os pneus na pressão recomendada pelo fabricante é fundamental para a eficiência.

Portanto, ao analisar a autonomia de um veículo elétrico, use o número oficial do Inmetro como uma referência para comparar com outros modelos. Lembre-se que a autonomia real dependerá sempre de como, onde e em que condições você dirige.

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