A sabedoria popular sobre carros está cheia de conselhos que, hoje, mais atrapalham do que ajudam. Práticas que faziam sentido nos veículos do século passado continuam sendo repetidas como verdades absolutas, gerando gastos desnecessários e até mesmo prejudicando a mecânica dos modelos modernos com injeção eletrônica.
Muitos desses hábitos nasceram na era dos carburadores e simplesmente não se aplicam mais à tecnologia atual. Para esclarecer o que é fato e o que ficou no passado, desvendamos os principais mitos que ainda circulam entre motoristas.
1. Aquecer o motor antes de sair
Este é um clássico da era dos carburadores. Carros antigos realmente precisavam de um tempo para que o motor atingisse a temperatura ideal de funcionamento. Nos veículos modernos com injeção eletrônica, o sistema ajusta a mistura de ar e combustível automaticamente. O ideal é ligar o carro e sair dirigindo de forma suave nos primeiros minutos para aquecer não só o motor, mas todo o conjunto mecânico.
2. Andar com o tanque na reserva estraga a bomba de combustível
A ideia é que a bomba, que fica submersa no tanque, usa o próprio combustível para se resfriar. Andar na reserva a faria superaquecer. Embora haja uma lógica nisso, as bombas atuais são projetadas para suportar essa condição ocasionalmente.
O maior risco de andar com o tanque quase vazio é a possibilidade de pane seca, que pode gerar uma multa e muita dor de cabeça. Além disso, dirigir constantemente com o tanque muito baixo pode fazer com que impurezas acumuladas no fundo sejam sugadas pela bomba, prejudicando o sistema de combustível.
3. É preciso trocar o óleo a cada 5 mil quilômetros
Essa regra valia para os antigos óleos minerais. Hoje, com os óleos sintéticos e semissintéticos, a durabilidade é muito maior. A recomendação correta está sempre no manual do proprietário do veículo, que geralmente indica trocas a cada 10 mil quilômetros ou um ano, o que ocorrer primeiro. Veículos com uso severo (trajetos curtos, trânsito pesado) podem exigir intervalos menores.
4. Gasolina premium melhora o desempenho de qualquer carro
Não. A gasolina premium ou de alta octanagem só traz benefícios para motores de alta compressão, geralmente encontrados em carros esportivos ou turbo. Usá-la em um motor comum, projetado para gasolina comum, é apenas jogar dinheiro fora. O sistema do carro não consegue extrair o desempenho extra que esse combustível oferece.
5. A calibragem correta é a que está escrita no pneu
Jamais. A pressão indicada na lateral do pneu é a pressão máxima de segurança que ele suporta, e não a recomendada para o uso diário. A calibragem correta para o seu carro está em uma etiqueta fixada na coluna da porta do motorista, na tampa do tanque de combustível ou no manual do veículo.
6. Câmbio manual é sempre mais econômico
Este mito também ficou no passado. As antigas transmissões automáticas de três ou quatro marchas eram realmente ineficientes. No entanto, os câmbios automáticos modernos, como os CVT ou os de oito ou mais velocidades, são extremamente otimizados e, em muitos casos, conseguem ser mais econômicos que um motorista médio no câmbio manual.
7. Descer na "banguela" economiza combustível
Em carros com injeção eletrônica, é o contrário. Quando você desce uma ladeira com o carro engrenado, o sistema corta totalmente a injeção de combustível, e o consumo é zero.
Se o carro estiver em ponto morto (a "banguela"), o motor precisa injetar combustível para se manter ligado, gastando mais. Além disso, a prática é perigosa por reduzir o controle sobre o veículo. Sem o freio motor, você perde capacidade de controle, aumentando consideravelmente o risco de acidentes, especialmente em descidas longas.
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