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Da desmontagem aos testes: como nasce um carro blindado no Brasil

Visitamos a Avallon Blindagens e mostramos as etapas que transformam um carro comum em um verdadeiro tanque de guerra

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Fábrica da Avallon Blindagens
Fábrica da Avallon Blindagens Foto: Reprodução/Avallon Blindagens

O Brasil possui hoje a maior frota de carros blindados do mundo. Estima-se que cerca de 400 mil veículos protegidos estejam em circulação no país. Apenas em 2025, o setor registrou aproximadamente 40 mil novas blindagens, número que mostra como a procura pelo serviço segue em alta, mesmo diante do cenário econômico desafiador.

Para entender como funciona esse processo, a reportagem realizou uma visita técnica à fábrica da Avallon Blindagens, empresa com mais de 23 anos de atuação no mercado. A blindadora possui certificação das marcas Toyota e Lexus e homologação das fabricantes Jeep, Ram, Omoda, Jaecoo e BYD. Na prática, isso significa que veículos zero-quilômetro dessas marcas podem ser blindados pela empresa sem perda da garantia de fábrica.

Fábrica da Avallon Blindagens
Fábrica da Avallon Blindagens Foto: Reprodução/Avallon Blindagens

Durante a visita foi possível acompanhar todo o processo de blindagem, desde a chegada do veículo até a validação final. O que mais chama atenção logo no início é o nível de profissionalização da operação, com processos padronizados e equipes especializadas em cada etapa da transformação.

Como começa o processo de blindagem?

O primeiro passo é a desmontagem completa do carro. O veículo praticamente volta ao estado de carroceria, com a retirada de bancos, forrações, acabamentos de portas e diversos componentes internos. Apenas itens como painel e console central permanecem instalados. Todas as peças removidas são etiquetadas, organizadas e armazenadas, para que possam ser reinstaladas posteriormente.

Fábrica da Avallon Blindagens
Fábrica da Avallon Blindagens Foto: Reprodução/Avallon Blindagens

Os vidros também são retirados nessa fase. Em muitos casos, os para-brisas originais acabam sendo destinados ao mercado de reposição, o que explica por que alguns vidros vendidos em autopeças podem ter origem em carros que passaram por blindagem.

Qual é o nível de proteção?

Atualmente, a maior parte dos veículos blindados no país utiliza o nível de proteção III-A, padrão permitido para uso civil. Esse nível é capaz de resistir a disparos de armas curtas, incluindo calibres potentes como o .44 Magnum, embora não ofereça proteção contra tiros de fuzil.

Fábrica da Avallon Blindagens
Calibres suportados por nível de blindagem Foto: Enrico Paladino/Vrum

Quais materiais são utilizados?

Após a desmontagem, começa de fato o processo de blindagem. Para criar a chamada cápsula de proteção, são utilizados diferentes materiais, como chapas de aço balístico, mantas sintéticas produzidas a partir de Kevlar e polietileno e vidros especiais multilaminados.

Nas áreas internas da carroceria, como portas e colunas, as mantas são aplicadas de forma sobreposta para garantir a eficácia da proteção. Já em pontos onde esse material não pode ser utilizado, entram as chapas de aço balístico, cortadas a laser dentro da própria fábrica para garantir precisão no encaixe.

Fábrica da Avallon Blindagens
Fábrica da Avallon Blindagens Foto: Reprodução/Avallon Blindagens

As portas também passam por modificações estruturais para acomodar os vidros mais espessos, que são muito mais pesados que os originais. Entre as opções de vidro utilizadas estão o Cerglass, mais comum no mercado, o Protector Evo, que reduz em cerca de 20% o peso total dos vidros, e o Protector Evo X, considerado um dos mais avançados, com acabamento em fibra de carbono e massa ainda menor.

O carro muda depois da blindagem?

Concluída a instalação da proteção, o veículo passa por uma etapa cuidadosa de acabamento e remontagem. Forrações de porta, revestimentos internos e demais peças são reinstalados com atenção aos detalhes. O objetivo é que o carro mantenha aparência praticamente idêntica à de um modelo original de fábrica. Na prática, após a finalização, fica quase imperceptível que o veículo passou por um processo de blindagem, já que todos os acabamentos seguem o padrão original do carro.

Quais testes são feitos?

Depois disso, começa a fase de validação final. O veículo é submetido a testes de rodagem em rua e também em pista própria da empresa para verificar possíveis ruídos, funcionamento da transmissão e comportamento geral.

Fábrica da Avallon Blindagens
Fábrica da Avallon Blindagens Foto: Reprodução/Avallon Blindagens

Outro procedimento importante é o teste de estanqueidade, no qual o carro passa por uma espécie de “chuveirão” que simula chuvas intensas para verificar se há infiltrações de água após a instalação da blindagem.

Os sistemas eletrônicos também passam por ajustes. Como os vidros blindados têm espessura e propriedades ópticas diferentes, é necessário recalibrar sensores e câmeras dos sistemas de assistência ao motorista, conhecidos como ADAS, para garantir que funcionem corretamente.

Quanto pesa e quanto custa?

Apesar da proteção adicional, a blindagem também traz impactos no peso do veículo. Em média, o processo adiciona cerca de 180 kg à massa total do carro, podendo variar entre aproximadamente 150 kg e mais de 200 kg, dependendo do modelo e do tipo de vidro utilizado.

Fábrica da Avallon Blindagens
Fábrica da Avallon Blindagens Foto: Reprodução/Avallon Blindagens

O custo também é elevado. Atualmente, o preço médio de uma blindagem na Avallon Blindagens gira em torno de R$ 100 mil, podendo variar um pouco para cima ou para baixo conforme o veículo e as especificações escolhidas.

Quanto tempo leva?

Todo o processo leva, em média, até 30 dias para ser concluído, período necessário para garantir que cada etapa seja executada com precisão e que o veículo entregue ao cliente mantenha não apenas a proteção balística, mas também o conforto e a dirigibilidade originais.

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